George, o Rei da Floresta

Introdução

Em 1967, estreava na televisão americana, pela ABC, o show George, o Rei da Floresta (George of the Jungle) que, em 30 minutos, exibiu três séries animadas: o próprio George, o Rei da Floresta, O Super-Galo e Tom Sem Freio. Foram produzidos 17 episódios de cada segmento.

O show teve a produção de Jay Ward, também responsável pela serie animada As Aventuras de Rocky e Bullwinkle. O desenho George, o Rei da Floresta ganhou, nas últimas décadas, duas versões cinematográficas e uma nova série animada.

George, o Rei da Floresta

george-rei-floresta-logoTítulo Original: George of the Jungle (1967 / EUA / Cor)
Criação: Allan Burns
Produção: Jay Ward, Bill Scott
Estúdio: Jay Ward Productions
Distribuição: Pantomine Pictures/ABC Filmes do Brasil
Trilha Sonora: Sheldon Allman, Stan Worth
Formato: 17 episódios de 6 min.
Exibição no Brasil: TV Tupi (1979), TV Record (1984), Cartoon Network (1996/97), Tele Uno (1996/97)
Dublagem: Dublasom-Guanabara/RJ – Com Nair Amorim (Úrsula), Orlando Drummond (Garila) e Milton Rangel (narrador)

Esta série animada é uma paródia com muito bom-humor ao personagem “Tarzan, o Homem-Macaco”. Tal qual o lendário personagem, quando bebê, George foi o único sobrevivente de um acidente de avião numa floresta remota. Mas, aqui em George, o Rei da Floresta, ele  passou a ser cuidado pelo gorila-falante Garila e se tornou o destemido (e atrapalhado) rei da floresta de Buê-Buê. George, que tem a inocência de um garotinho, vive entre os animais, tem uma companheira chamada Úrsula e, além de tudo, há ainda um agravante: ele se acha “o bom”.

Normalmente, Garila tem mais noção da realidade e mais cultura do que o próprio George. Em um episódio, por exemplo, uma flecha adentra a casa de George, trazendo um bilhete. Úrsula o lê em voz alta: “Este é o último aviso”. E, em sua ingenuidade, George diz: “Último? Então os outros se extraviaram, pois não recebi o primeiro!”.

Nosso herói tem um “animalzinho” de estimação – o fiel Panti, que é um elefante na qual George acredita ser um cão. Há também o valente passarinho Tuc-Tuc (Tookie-Tookie), que apesar de saber apenas piar “Tookie-Tookie”, é bem compreendido por George e seus amigos e sempre traz as novidades da floresta. Há também o Comissário Distrital, que convoca o herói quando há problemas na selva.

O meio de transporte de George também são os cipós, mas é muito comum ele perder o controle e dar de cara nas árvores! Aliás, uma das maiores funções de Úrsula é de lembrar George para tomar cuidados com as árvores!

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Falando na personagem Úrsula, seu nome inicialmente era para ser Jane, como em Tarzan. Mas, o detentor dos direitos do Homem-Macaco, Edgar Rice Burroughs, não gostou da brincadeira.

Sem nenhum tipo de conotação, George vê Úrsula não como uma pessoa do sexo oposto, mas como um companheiro. Ele não percebe a diferença entre ele e uma mulher e se refere à Úrsula como “aquele que nunca faz barba”.

O narrador das histórias tem um importante papel. Ele é o guia, conselheiro e testemunha ocular de tudo o que está acontecendo na floresta. Usa uma entonação divertida, marcada pela ironia.

Geralmente, as histórias se iniciam a partir da chegada de visitantes na floresta, alguns bem-vindos, outros não. Caçadores de animais, caçadores de joias, empresários oportunistas e tantos outros, que vivenciam as mais diversas situações com George e sua turma.

Esta foi a última produção da Jay Ward Productions antes de dedicar-se exclusivamente a comerciais de tevê. Inicialmente, o desenho seria chamado de “Walter of the Jungle”, algo que foi alterado pouco antes da estreia.

Foram produzidos 17 episódios, além de um piloto inédito, cujo tema e cenas de abertura são totalmente diferentes do que passou a ser utilizado. Este piloto nunca foi ao ar, mas foi disponibilizado na caixa de DVDs lançada nos EUA/Canadá. Apesar de dirigido ao público infantil, exibido nas manhãs de sábado dos EUA, no canal ABC,  George, o Rei da Floresta fez mais sucesso entre os adultos.

O personagem também teve uma versão em quadrinhos em 1967, pela Marvel Comics, feita especialmente para promover o lançamento da série na tevê. Em 1969, foi a vez da editora Gold Key lançar dois números de uma revista em quadrinhos do George.

Filmes

Baseado no desenho original de 1967, foram produzidos dois filmes de George, o Rei da Floresta. Um em 1997 (30 anos depois do término do desenho), estrelado por Brendan Fraser, e outro em 2003, estrelado por Christopher Showerman. O primeiro filme teve grande audiência nos cinemas, e o segundo, foi lançado direto em vídeo e também teve um considerável número de vendas, apesar de não ter tido tantas quanto o primeiro filme. Ambos longa-metragens foram produzidos pelos estúdios Disney, sendo que o primeiro com orçamento de US$ 50 milhões e o  segundo com cerca de US$ 12 milhões.

Como pode-se ver na maioria das versões para cinema de séries e desenhos do passado, a essência original praticamente se perde. Quem assistiu aos filmes e não viu o desenho só tem uma vaga ideia de quem é George. Os criadores de George, Super Galo e Tom sem Freio usaram de forma perfeita uma linguagem e um traçado caricatos, descontraídos, inusitados, oferecendo desenhos muito divertidos. Eles estavam bem à frente de sua época.

1997

george-filme1A primeira película de George, o Rei da Floresta foi adaptada para cinema, tentando buscar a linguagem caricata dos desenhos, com um engraçado locutor em “off” e com o ator Brendan Fraser no papel principal. A história mostra que um avião cai em pleno coração da África, deixando apenas um bebê como sobrevivente. Ele é criado pelos animais e, 25 anos depois, é conhecido como George (Brendan Fraser), o Rei da Floresta. Um dia, Úrsula Stanhope (Leslie Mann) explora a selva africana ao lado de Kwame (Richard Roundtree), seu guia, e alguns nativos carregadores. Ela viajou sozinha, mas logo seu noivo, Lyle van de Groot (Thomas Haden Church), decide encontrá-la. Kwame logo conta a todos a lenda do “macaco branco”, que alimenta a cobiça dos caçadores Max (Greg Crutwell) e Thor (Abraham Benrubi), integrantes da expedição. No dia seguinte, um leão ataca Úrsula. Enquanto Lyle foge, desesperado, George aparece e a salva. Ele a leva até sua casa e logo se apaixona. Só que a expedição parte atrás de Úrsula, para resgatá-la e capturar o “macaco branco”.

2003

george-filme2O segundo filme da franquia, “George, o Rei da Floresta 2″, foi produzido em 2003 pela Walt Disney Pictures, dirigido por David Grossman e lançado diretamente em vídeo. Nesta segunda aventura em longa-metragem, a sogra de George, Beatrice Stanhope, não quer que sua filha Úrsula fique zanzando com o rei das selvas. Ela e Lyle, ex-noivo de Úrsula, conspiram um plano para separá-los: hipnotizam Úrsula e a obrigam a deixar George para sempre.

Remake

Quase 40 anos depois de sua estreia, em 29 de junho de 2007, George, o Rei da Floresta estava de volta à televisão. Desta vez, o desenho estava um pouco modificado, com o acréscimo de alguns personagens.

O remake do desenho George, o Rei da Floresta foi produzido pelas mãos de Tiffany Ward, filha de Jay Ward, criador da série animada original. A nova versão estreou no Canadá em julho de 2007, pelo canal Teletoon, e chegou ao canal Cartoon Network americano em janeiro de 2008. No Brasil, estreou pelo Disney Channel em 2008 e também foi exibido pela Rede Globo.

Voltado para o público entre 6 e 11 anos, a nova versão transformou o personagem em um adolescente. Ao seu lado, estão seus inseparáveis amigos: a namorada Úrsula, Garila, o elefante Panti, o pássaro Tuc Tuc, Dr. Towel Scott (o pai de Úrsula), Magnólia e seu pai, o curandeiro.

O marcante tema de abertura permaneceu o mesmo. Apenas ficou um pouco mais moderno.

A Bullwinkle Studios (empresa da Ward Productions) e a Studio B Prods produziram 26 programas, cada um com duas histórias. Foram desenhadas totalmente com a tecnologia Adobe Flash e sem o traço característico de Jay Ward. O humor irônico — que tornou a primeira produção um sucesso na época — também não foi mantido.

Mas, esta nova versão fez tanto sucesso no Canadá (onde foi originalmente produzido e exibido) e nos Estados Unidos (onde foi co-produzido pelo Cartoon Network e patrocinado pela Disney), que, em 2008, foi produzido também um jogo para PlayStation 2 e Nintendo Wii, intitulado George of the Jungle and the Search for the Secret.

Super-Galo

super-galo-logo2Título Original: Super Chicken (1967 / EUA / Cor)
Criação: Allan Burns
Produção: Jay Ward, Bill Scott
Estúdio: Jay Ward Productions
Distribuição: Pantomine Pictures/ABC Filmes do Brasil
Formato: 17 episódios de 6 min.
Exibição no Brasil: TV Tupi (1979), TV Record (1984), Cartoon Network (1996/97), Tele Uno (1996/97)
Dublagem: Dublasom-Guanabara/RJ – Com Mário Monjardim (Super Galo), Orlando Drummond (Fred) e Milton Rangel (narrador)

Por trás da figura de um milionário boa vida, o Sr. Dondoco Careta III, morador de um apartamento de cobertura, esconde a identidade secreta do Super-Galo!

Para poder combater os vilões que ameacem a paz, o milionário tampinha veste seu traje de capa e espada e toma um preparado especial, o super-suco que, em fração de segundos, transforma o galo raquítico mixuruca no galináceo mais forte da Terra.

Quem prepara o super-suco é seu secretário e auxiliar Fred, um leão que acompanha o herói em todas as aventuras e acaba sofrendo muitos acidentes, inclusive, com os efeitos da explosão gerada quando o Super-Galo toma o super-suco.

Quando vai realizar alguma atividade perigosa ou sofre algum acidente, Fred ainda tem que ouvir o Super- Galo dizer: “Você sabia que o emprego era perigoso demais quando o aceitou, Fred”.

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Mas, os poderes do herói duram pouco, pois o efeito do super-suco passa rapidamente.

Para se locomover, a dupla Super-Galo e Fred utiliza-se do Supercóptero, um veículo em formato de disco-voador ovoide.

Há ainda um outro problema: o grito de guerra do Super-Galo é um cacarejado muito desafinado, difícil para Fred aguentar.

Detalhe curioso da dublagem deste desenho é que os dubladores dos protagonistas também fizeram dupla em Scooby-Doo, onde Mário Monjardim (Super-Galo) faz Salsicha e Orlando Drumond (Fred) faz Scooby-Doo.

Antes de estrelar um desenho animado, o Super-Galo aparecia em um tira de quadrinhos de 1964.

Tom Sem Freio

tom-sem-freio-logoTítulo Original: Tom Slick (1967 / EUA / Cor)
Criação: Allan Burns
Produção: Jay Ward, Bill Scott
Estúdio: Jay Ward Productions
Distribuição: Pantomine Pictures/ABC Filmes do Brasil
Formato: 17 episódios de 6 min.
Exibição no Brasil: TV Tupi (1979), TV Record (1984), Cartoon Network (1996/97), Tele Uno (1996/97)
Dublagem: Dublasom-Guanabara/RJ – Com Orlando Prado (Tom Sem Freio), Carmen Sheila (Maria), Maria Inês (Coroa), Antônio Patiño (Barão Otomático), Luiz Manuel (Cafaja) e Milton Rangel (narrador)

Corridas de balões, de carros, lanchas, no pântano, no deserto, no mar… seja onde for e com que máquina for, lá estará o boa-praça, cavalheiro e corredor-camarada Tom Sem Freio.

- “Oh Tom, você é tão justo…”, diz Maria, a namorada de Tom.

Tom Sem Freio também tem aliados, ou melhor, aliadas. Maria, moça apaixonada por Tom, e Coroa, uma velhinha muito agitada, que geralmente está precisando de dinheiro (não se sabe se Coroa é sua mãe). As duas acompanham o corredor “boa-praça” em todas as aventuras e muitas vezes ajudam-no, frustrando as armações dos adversários.

Ele coloca a honra e a educação acima de tudo, mesmo que isso lhe custe a vitória. Mas isso não é problema, pois ele é um ás do volante e vence todas as corridas. Tom tenta vencer as provas para impressionar Maria e, muitas vezes, para ajudar a Coroa a pagar suas dívidas.

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Existem vários adversários mas, na maioria dos episódios, quem vive tentando tirar vantagem do bom caráter de Tom é o corredor malvado e trapaceiro Barão Otomático. O vilão, que não suporta a “pinta” de esportista “limpo” de Tom, vive preparando planos para tirar o mocinho da “jogada” e tem um ajudante para colocar esses planos em ação, o Cafaja. Mas, o pobre ajudante só se dá mal e ainda vive levando pancadas na cabeça com uma chave inglesa, desferidas pelo Barão.

Não se pode deixar de citar a “animadíssima” torcida que assiste às corridas. Ela acaba dormindo durante as provas e, quando acordada, costuma dar um simples “Hey!” como sinal de vibração pela passagem dos corredores pelas arquibancadas.

Jay Ward

Jay Ward trocou o ramo imobiliário por uma bem sucedida carreira na animação americana quando, em 1947, associou-se a Alexander Anderson. Juntos, criaram o primeiro programa de desenhos animados produzidos especialmente para a televisão, o “The Comic Strips of  Television”, para o qual criaram os desenhos Crusader Rabitt, Hamhock Jones e Janota Age Certo (Dudley Do-Right) também conhecido como “Dudley Certinho”, um oficial da polícia montada canadense que também ganhou uma versão para o cinema em 1999, novamente interpretado por Brendan Fraser. No entanto, na hora de decidir a produção, apenas “Crusader Rabitt” foi exibido, em 1949 — os demais permaneceram na gaveta por mais alguns anos até chegar à telinha.

jay-wardMais tarde, Anderson afastou-se da produtora e Bill Scott associou-se a Ward. Scott vinha da United Productions of America – UPA, na qual trabalhara com os desenhos Mr. Magoo e Gerald Boing-Boing. A consagração veio em 1959 com o sucesso do desenho Rocky and Bullwinkle, que também ganhou uma versão cinematográfica em 1992, com Jason Alexander e outros no elenco. O sucesso dos desenhos de Ward não são exatamente seus traços ou movimentos, nem mesmo os cenários, mas, os diálogos adultos, sarcásticos de cunho social e político.

Depois de George, o Rei da Floresta, a produtora passou a trabalhar essencialmente com comerciais, especialmente os da Quaker. Jay Ward morreu em 1989.

O Sr. Peabody (Mr. Peabody & Sherman, 1959/64), desenho criado pelo legendário animador Jay Ward, estreou no Brasil uma versão cinematográfica em fevereiro de 2014.

O criador de Os Simpsons, Matt Groening, fez uma homenagem a Jay Ward, que na verdade chamava-se J. Troplong Ward. Groening nomeou seus personagens com o ‘J’ de Ward: Bartholomew J. Simpson (Bart), Homer J. Simpson e Abraham J. Simpson (Vovô).

TV e DVD

O show George, o Rei da Floresta foi exibido pela última vez no Brasil em 1997 em dois canais simultaneamente: Cartoon Network e o extinto Tele Uno. O Cartoon Network exibiu os desenhos com imagem e som espetaculares, com a antiga dublagem. Já o Tele Uno exibiu com som em espanhol.

No Brasil, não houve lançamento da série em DVD, mas nos EUA/Canadá, os fãs puderam adquirir, desde julho/2012, um box com todos os episódios do show (George+Super-Galo+Tom Sem Freio). Neste lançamento, além das imagens remasterizadas, estão disponíveis duas raridades: os episódios-piloto de George, o Rei da Floresta e O Super-Galo, nuca exibidos.

Os autores desta matéria são Maurício Viel e José Paulo Gircoreano. Escreva para nós ou envie seus comentários abaixo.

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Multimídia

Assista a um episódio completo de George, o Rei da Floresta, com a dublagem brasileira:

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Assista a um episódio completo de Super-Galo, com a dublagem brasileira:
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Assista a um episódio completo de Tom Sem Freio, com a dublagem brasileira:
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Galeria – George, o Rei da Floresta

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Galeria – Super-Galo

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Galeria – Tom Sem Freio

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