Universo AIC: Os Narradores de Aberturas

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A AIC – Arte Industrial Cinematográfica foi um estúdio de dublagem que operou entre 1962/76 na R. Tibério, bairro paulistano da Lapa. Em seus quase 14 anos de existência, contou com um elenco de vozes notáveis, muitas oriundas do rádio e da televisão brasileira, que se iniciava.
A tecnologia ainda era modesta, mas a competência de seus profissionais fez a história da dublagem brasileira e criou uma verdadeira “escola”, lançando grandes nomes.
Certamente, a AIC contribuiu para o imenso sucesso que séries americanas, japonesas e inglesas fizeram no Brasil, encurtando a distância entre os grandes astros e o nosso público.
Este é o primeiro artigo do especial Universo AIC, com as mais detalhadas informações sobre os trabalhos de dublagem deste estúdio. Um verdadeiro documento da história da televisão brasileira!

Os Narradores de Aberturas

Do Blog Universo AIC
Por Marco Antônio dos Santos

Uma das grandes lembranças de todos que assistiam às dublagens do estúdio AIC era ouvir sempre o seu narrador mencionando o nome do filme ou série de tevê, seguido dos nomes dos artistas e, finalmente a assinatura “Versão brasileira: AIC – São Paulo”.

Fachada original da sede da AIC

Fachada original da AIC

O curioso é que nas primeiras dublagens, quando o estúdio ainda atendia pelo nome Gravasom, não havia a preocupação de realizar uma assinatura. Assim, algumas séries como Papai Sabe Tudo e Além da Imaginação não apresentam narrador e tampouco mencionam o nome do estúdio. Já como AIC (Arte Industrial Cinematográfica), no início, os desenhos e séries também não possuíam um narrador na abertura e o nome da AIC não era mencionado. Basta assistir as aberturas de Os Jetsons e Manda-Chuva, por exemplo.

Já pelo final do ano de 1963, com o surgimento de outros estúdios de dublagem como Herbert Richers, TV CineSom, principalmente no Rio de Janeiro, a AIC resolveu inserir essa “marca registrada”, a qual persiste até hoje para todos os estúdios.

A primeira série a ganhar um narrador na abertura foi Os Três Patetas, em 1964, onde Ibrahim Barchini dizia: “Versão Brasileira da Arte Industrial Cinematográfica – São Paulo”. E assim foi, até ser reduzido para apenas “AIC – São Paulo”, em 1966.

Ibrahim Barchini foi oficialmente o primeiro narrador da AIC, tendo marcado muitos filmes, séries e desenhos com sua imponente voz, como Os Defensores, Big Valley, A Feiticeira, Viagem ao Fundo do Mar, Perdidos no Espaço e O Túnel do Tempo.

Algumas vezes, Barchini foi substituído por Oswaldo Calfat nas aberturas, o qual tinha uma voz bem adequada para narrar documentários.

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Carlos Vaccari, Francisco Borges, Antônio Celso, Flávio Galvão e Emerson Camargo

Para a série clássica Jornada nas Estrelas, seu diretor de dublagem Emerson Camargo preferiu convidar o locutor da Rádio Excelsior de São Paulo, Antônio Celso, que fez a abertura da série. Aliás, já substituindo Barchini, Celso também acabou narrando alguns episódios de outras séries e desenhos dublados pela AIC,  como Missão: ImpossívelO Túnel do TempoCoelho Ricochete e Maguila, o Gorila, além dos episódios finais de O Túnel do Tempo e da 2ª temporada de Perdidos no Espaço.

No final de 1967, Carlos Alberto Vaccari assume oficialmente a narração da AIC, tornando-se, talvez, o mais marcante para todos que se lembram das aberturas, visto que sua entonação sempre carregou bastante na emoção.

Paralelamente, o dublador Francisco Borges também participou de algumas aberturas. Fez a narração de Batman e substituiu Vaccari muitas vezes em Daniel Boone e na 2ª Temporada de Terra de Gigantes, A Feiticeira, Lancer, Jeannie é um Gênio,em virtude de um pequeno afastamento do titular.

Além dos quatro citados, eventualmente surgia o dublador Flávio Galvão, Hélio Porto em Os Três Patetas, e até Emerson Camargo em Perdidos no Espaço (no episódio “Os Homens Mecânicos”) e O Túnel do Tempo. Já a série Chaparral teve Carlos Campanile como narrador de abertura.

Com a crise econômica na AIC evoluindo no início da década de 1970, praticamente Francisco Borges se tornou o narrador oficial de desenhos e séries de tevê, tais como: Goober e os Caçadores de Fantasmas, João Grandão, O Homem Invisível, A Família Robinson, e muitas outras produções.

Seja como for, foi a necessidade de registrar o nome do estúdio de dublagem que fez com que tivéssemos esses inesquecíveis narradores de aberturas oficiais, que colocaram uma marca registrada com “sabor” brasileiro neste vasto catálogo de enlatados.

Vejamos algumas aberturas da AIC:

Ibrahin Barchini narrando a abertura da 1ª Temporada de Perdidos no Espaço.

Antônio Celso narrando a abertura da série Jornada nas Estrelas.

Francisco Borges narrando a abertura de Batman.

Carlos Alberto Vaccari narrando a abertura da 2ª Temporada de Daniel Boone.

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Marco Antônio dos Santos é autor deste artigo e editor do Blog Universo AIC.