CHiP’s

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Ficha-Técnica

Título: CHiP’s (CHiP’s/1977-83/EUA/Cor)
Criação: Rick Rosner
Produção: Rick Rosner, Cy Chermak, Ric Randall, William D. Gordon, James Doherty
Tema: John Parker
Elenco: Larry Wilcox (John Baker), Erik Estrada (Frank Poncherello), Robert Pine (Sargento Joseph Getraer), Lew Saunders (Gene Fritz), Brodie Greer (Barizca), Brianne Leary (Sindy Cahill), Lou Wagner (Harlan Arliss), Paul Linke (Arthur Grossmann), Randi Oakes (Bonnie Clark), Michael Dorn (Jeb Turner), Tom Reilly (Bobby Nelson), Tina Gayle (Kathy Linahan), Bruce Penhall (Bruce Nelson), Clarence Gilyard Jr. (Benjamin Webster)
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Distribuição no Brasil: Turner Entertainment
Formato: 221 episódios de 50 minutos em 9 temporadas; 7 filmes para TV
Exibição: NBC (EUA), TVS (1979/82), Rede Record (1982/85), Rede Bandeirantes (1988), Rede Manchete (1993), TNT (canal pago, início dos anos 1990), TCM (canal pago, em 2005 e 2009), Rede Brasil (2011/2012)
Dublagem: BKS/São Paulo. Com Ricardo Marigo (Frank Poncherello), Aníbal Munhoz (John Baker – 1ª temporada e Bruce Nelson – 6ª temporada), Hamilton Ricardo (John Baker – 2ª a 5ª temporada), Gervásio Marques (Sargento Joseph Getraer – 1ª temporada), Renato Márcio (Sargento Joseph Getraer – 2ª temporada e início da 3ª), Carlos Campanille (Sargento Joseph Getraer – metade da 3ª à 6ª temporada), Leonardo Camilo (Barizca – da metade da 3ª à 5ª temporada), Waldir de Oliveira (Arthur Grossmann), Márcia Gomes (Bonnie Clark), Ismael Vieira (Harlan Arliss – 2ª a 5ª temporadas) e Eleu Salvador (Harlan Arliss – 6ª temporada)

Introdução

Corria o ano de 1977 e o oficial aposentado da Polícia Rodoviária da Califórnia (Califórnia Highway Patrol), Rick Rosner, inspirou-se em uma série de ação chamada Trend e criou um roteiro para televisão, baseado em suas vivências como policial rodoviário. Naquela época, a tevê norte-americana vinha deixando de trazer séries policiais que exploravam apenas o drama em si e estreava séries como Adam-12, Starsky & Hutch, As Panteras e Emergência, que mostravam sequências com incêndios, acidentes, perseguições de carros e os próprios atores em meio a todos esses acontecimentos.

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Erik Estrada e Larry Wilcox

Nessa medida, Rosner apresentou à rede NBC o projeto de CHiP’s, com a premissa de mostrar dois oficiais motorizados e charmosos da California Highway Patrol, que passavam seus dias transitando por ruas e estradas de Los Angeles, ajudando motoristas, atendendo a emergências, perseguindo infratores e… conhecendo lindas garotas.

Na primavera de 1977, a NBC aprovou o projeto e assinou contrato com o estúdio MGM para produzir 13 episódios e começaram a procurar talentos.

Para o papel de Jonathan “John” Baker, os produtores escolheram Larry Wilcox, ator de 29 anos que havia trabalhado na continuação da série Lassie.

Para viver Francis Poncherelli, os produtores procuraram um ator italiano, mas Erik Estrada, de 28 anos, descendente de porto-riquenhos, ganhou a audição e redesenharam este personagem para hispânico-americano, com o sobrenome Poncherello.

“7-Mary-3 e 7-Mary-4, sujeito dirige na rodovia em alta velocidade, ajam com cautela”. Em um período de seis anos (1977/1983), este chamado só significava uma coisa: qualquer um que tivesse más intenções nas ruas e estradas da Califórnia não ficaria impune.

Calças ajustadas, policiais sobre motocicletas, um “latin lover” original, um nobre garoto loiro norte-americano, belas motoristas e muitas batidas de carros. Uma fórmula vencedora para 1977.

A Série

O piloto de CHiP’s foi gravado em março de 1977 e a estreia aconteceu em 15 de setembro daquele ano, às 20 horas, pela rede americana NBC. A série mostrou o melhor da vida americana, especialmente na Califórnia. Praias, mulheres, liberdade, rodovias, moda etc. Não era difícil, por exemplo, de os policiais encontrarem garotas de biquíni desrespeitando o sinal vermelho com seus monopatins.

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Os patrulheiros fazem o resgate de uma criança em acidente automobilístico

Nas seis temporadas da série, com exceção de poucos episódios, as histórias contaram com complicadas sequências em que vários automóveis se chocam e fazem piruetas. Mas dificilmente alguém morria, com exceção de um episódio da segunda temporada, onde houve 11 óbitos em um terrível acidente.

Ponch e Baker recebem diariamente as tarefas do sargento durão Joseph “Joe” Getraer (Robert Pine) e saíram a patrulhar pelas estradas, enfrentando problemas como quadrilhas especializadas em roubar carros, infratores da lei, jovens rebeldes, crianças revoltadas, transporte de cargas roubadas, entre outros.

Mas, nem tudo era trabalho duro e estressante para as estrelas da série. John e Ponch também são amigos fora do expediente da polícia, sendo comum saírem juntos para encontrarem com belas garotas. Mas, mesmo amigos, eles têm que administrar as diferenças de personalidade de cada um, já que Poncherello é explosivo e Baker mais ponderado, sempre questionando o jeito livre de Ponch.

Poncherello é moreno, forte, e seu temperamento explosivo chega às vezes se tornar cômico. Frequentemente leva algumas duras do Sargento Getraer, mas, por outro lado, é sorridente e tem um sex appeal com as mulheres que encontra no decorrer dos episódios. Não é difícil ver, por exemplo, os dois policiais perseguirem um veículo e, ao abordarem, Ponch é paquerado “na cara dura”. O personagem acabou se tornando ícone da cultura pop dos anos 1970.

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Merchandising: lançamento de brinquedos no mercado brasileiro

John Baker tem um legítimo biótipo de um norte-americano. É loiro, cabeludo e tímido, o que contrabalança com Ponch e dá um equilíbrio perfeito e saudável entre razão e coração.

Geralmente, os episódios trazem dois assuntos paralelos. O principal está sempre relacionado com um crime ou com atos de rebeldia. A outra história se remete às vidas sociais de Baker ou Ponch, em plena “Era Disco”.

Mudanças

Inicialmente, o público não assistiu CHiP’s, que chegou ao 57º lugar de audiência e quase foi cancelada. A NBC tentou salvar a série já na metade da 1ª Temporada, contratando o produtor executivo Cy Chermak, especialista em recuperar programas. Segundo ele, CHiP’s vinha fracassando por que não contava com celebridades no elenco e, ainda, pelo fato de que havia casos infantis, tolos, como carros enguiçados na estrada, caminhão de cebola que capota e faz olhos lacrimejarem etc. Chermak diminuiu o humor, aumentou a ação e pediu para trocar o horário de exibição para as 20h dos sábados, a fim de atrair mais adolescentes, que por sua vez, gostavam mais de motocicletas.

E assim, a série acabou atraindo muitos seguidores, seja pelos fabulosos acidentes automobilísticos e perseguições acrobáticas em grande escala, seja pelas potentes motos Kawasaki KZ1000C Police Series, ou ainda, pela atuação do galã da série, Ponch. Além disso, apesar de ser uma série policial, os personagens nunca atiraram com suas armas, ainda que algumas vezes fosse necessário sacá-las. Desta forma, CHiP’s afeiçoou-se com o público jovem e infantil e bonecos, assessórios e motocicletas venderam muito bem nas lojas de brinquedos.

Ponch ganha a cena ao dançar música disco

Ponch rouba a cena ao dançar nos embalos da música disco

Na 2ª Temporada, CHiP’s ficou entre os 10 programas mais vistos na tevê americana. Com o enfoque mais “radical”, os produtores acompanharam a moda e refletiam a época, mostrando patins, jetskys, carros de corrida esportivos e motos. A “febre” da música disco, amplamente explorada na série, com direito ao Ponch dançando freneticamente, também contribuiu para o sucesso. Seu jeito “amante latino” chamava a atenção das mulheres, visto que havia poucos atores latinos na tevê americana, muito menos elegante e charmoso como Erik. Ele se transformou na contrapartida de Farrah Fawcett (As Panteras) e Wilcox, contratado para ser a estrela, teve de aceitar isso. Foi Estrada que mais saiu nas capas de revistas.

Quando os fãs ficavam sabendo onde seria a próxima gravação de externas, faziam prontidão no local, a fim de verem seus ídolos e ganharem autógrafos.

Personagens Principais

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Larry Wilcox

Wilcox nasceu e cresceu no meio rural, nos EUA, onde aprendeu a ser caubói. Em 1967, aos 20 anos, era infante na Marinha Americana. Chegou a servir na artilharia da Guerra do Vietnã e deu baixa como sargento. Ao voltar para os EUA, em 1970, estudou teatro em Los Angeles e obteve bons papéis em comerciais. Dois anos após, teve papel de destaque na continuação da série Lassie (1969 e 1974), interpretando o personagem Dale. entre . Ao longo da década de 1970, foi ator convidado de diversas séries, entre elas Mash, Havaí 5-0, São Francisco Urgente, A Família Dó-Ré-Mi e Cannon. O sucesso veio em 1977, quando estrelou a série CHiP’s, ao lado de Erik Estrada.

chips-materia5Larry casou-se em 1972, aos 32 anos, com a assistente de som Hannie Strauser. Em 1986, teve um segundo casamento. Desta vez, com a ex-campeã olímpica Marlene Harmon. É pai de cinco filhos.

Aos 36 anos, após deixar CHiP’s, Larry, com a imagem carregada de Baker, optou em ir para atrás das câmeras, fundando a Wilcox Productions, que produziu diversos programas e filmes para televisão, como The Ray Bradbury Theatre e A Morte de um Centerfold: A História de Dorothy Stratten. Em 1984, Wilcox fez teste para o papel de Sony Crockett na série Miami Vice. Durante os dez anos seguintes, tentou mudar sua imagem participando de programas e filmes para a tevê. Continuou dirigindo e produzindo. Entre suas obras está a premiada série da HBO , Ray Bradbury Theater e o vídeo infantil “Li’l CHP”. Nos anos 1980, fez o filme “Os Doze Condenados” e, em 1991, uma ponta na série Profissão: Perigo. Sua última aparição foi em 2009, na série 3d Rock. Wilcox foi também presidente da empresa Team Elite, do ramo farmacêutico.

Em 1999, aos 43 anos, Wilcox migrou para o ramo da informação. Montou a MediaCore, empresa que trabalha com transmissão de dados em banda larga e rede sem fio.

No ano de 2010, Larry Wilcox, com 63 anos, foi acusado de fazer parte de um esquema de fraude de ações. Segundo a acusação, Wilcox faria parte de um grupo formado por 12 pessoas que armaram uma operação de propina descoberta por agentes do FBI. Wilcox foi acusado de oferecer propina a gestores de fundos de pensão e corretores em troca de usar os nomes de seus clientes para a compra de ações. Segundo o processo, Wilcox teria interesse em gerar interesse de mercado em torno da HC Hub Group, da qual é presidente, induzindo a compra de ações, o que elevaria o valor da empresa. A UC Hub Group atua no ramo de petróleo e diversos minerais.

Segundo o processo, Wilcox é acusado de violar, pelo menos, cinco artigos da Lei Federal. Se condenado, o ator poderá pegar de cinco a 25 anos de prisão para cada acusação, além de pagar multas e ser proibido de voltar a atuar no mercado de ações.

Erik Estrada

Nasceu em Nova York e cresceu no bairro do Harlem Espanhol. Recebia ajuda beneficente, queria manter sua mãe e, posteriormente, tirá-la daquele bairro. Até os 17 anos, sonhava em ser policial da cidade, até que surgiu a oportunidade de estudar teatro. Em 1972, aos 23 anos, foi tentar carreira em Los Angeles. Antes disso, foi vendedor de carros, porteiro de um famoso bar e passou a fazer pequenos papéis no teatro. Mas os papéis que lhe davam eram de latinos violentos, com revólveres e facas, ou de traficantes. Até que conseguiu romper o estereótipo de latino malfeitor e fez um teste para o papel do oficial Poncherello. Foram ao todo 87 candidatos, onde Erik ficou entre os cinco semifinalistas e entre os dois finalistas. Os produtores gostaram tanto do jeito latino de Estrada que acabaram redesenhando o personagem, que deveria ser descendente de italiano. O nome do personagem era de um padre italiano, Francis Poncherelli.

chips-materia6Em dezembro de 1971, aos 31 anos, Erik Estrada casou-se com Joyce Miller, da socialite de Beverly Hills. Após sete meses, ele pediu divórcio, já que a moça havia lhe enganado prometendo posses milionárias e, na verdade, não tinha nada daquilo. Ela chegou a processar o ator em 7 milhões por abuso sexual, drogadicto e prática de vodu. Embora a acusação tenha sido retirada, a mídia sensacionalista diminuiu a fama de CHiP’s, mas Erik, que era muito esnobe no estúdio, nada mudou.Em 1977, Erik se casou novamente. Desta vez, com Nanette Mirkovitch, técnica de som, com quem teve dois filhos.

Após CHiP’s, a vida foi mais difícil para Erik do que para Larry. As brigas salariais de Erik Estrada o marcaram como uma pessoa problemática em Hollywood. Como Hollywood fechou as portas, Erik passou anos fazendo filmes baratos. Em 1993, trabalhou em um canal chamado Psychic Revival e fez um comercial sobre tacos, que zombava de si mesmo. Mas, em 1990, aos 44 anos, protagonizaria uma telenovela do canal Televisa do México, “Dos Mujeres, Um Camiño”, vivendo Johnny. Como não falava espanhol, usou ponto eletrônico, mas depois optou por ter aulas intensivas da língua.Erik fez aulas e pode ser estrela novamente, mesmo em um meio que não o americano. A novela teria 100 capítulos, mas o sucesso a fez ter 400, tornando-se a mais longa história latino-americana.

Em 1997, aproveitando sua volta, lançou uma biografia chamada “Do Harlen a Hollywood” e recomeçou sua carreira nos EUA. Fez participações nas séries SOS Malibu e According to Jim. A maioria de seus personagens foram policiais, sargentos ou capitães, remetendo sempre ao seu sucesso de estreia. Acabou tornando-se oficial da reserva do departamento de polícia da cidade de Muncie, nos Estados Unidos, após treinamento mostrado no reality show americano “Armed and Famous” (Armados e Famosos, 2007).

Em abril de 2007, Estrada recebeu uma das maiores honras de Hollywood, uma estrela na Calçada da Fama. “Consegui realizar dois de meus sonhos. O primeiro por ter tido sucesso na indústria do entretenimento, pelo qual sou extremamente grato e tenho muito orgulho. Mas igualmente importante, foi realizar meu sonho de infância de me tornar um policial”, declarou o astro à imprensa. Durante o evento, Estrada estava ao lado de sua mulher Nanette Mirkovich, da filha Francesca Natalia e de patrulheiros da vida real.

Atrás das Câmeras

Ainda que Baker e Poncherello fossem grandes amigos na série, não se podia dizer o mesmo dos atores na vida real. À medida que a popularidade de Erik crescia (recebia mais de 750 cartas por semana), Wilcox (com 250 cartas) se sentia cada vez mais de lado, tendo em conta que os produtores não escondiam o favoritismo a Erik Estrada.

Foto recente de Estrada e Wilcox

Foto recente de Estrada e Wilcox

Wilcox percebeu que seu papel vinha tendo menos falas que o de Erik. “Estudei teatro a vida toda e só dizia ’10-4”. É frustrante”, declarou Larry Wilcox certa vez. Neste ambiente, acabavam acontecendo atritos por coisas tolas. Em uma entrevista, Larry declarou que “nunca simpatizamos, não era o destino”.

Àquela altura, ambos os atores ganhavam praticamente o mesmo salário, cerca de 25 mil dólares por episódio. Mas, os mimos de Estrada estavam saindo do controle, chegando ao ponto de ganhar um carro Rolls-Royce dos produtores.

Contudo, o mesmo Erik Estrada demonstrou também que poderia ser uma fonte de problemas. Na 5ª Temporada (final de 1981), ele e seus representantes queriam salários mais altos pela contribuição ao sucesso do programa. Não houve negócio, Erik abandonou o set de filmagem e foi processado pela MGM em 40 milhões por quebra de contrato e substituído pelo oficial Steve McLeis. Ele era o medalhista olímpico Bruce Jenner, que apesar de não ser ator, aceitou o papel.

Wilcox e Jenner formaram uma boa dupla, mas o público não aprovou. Jenner era o clássico herói americano, mas não tinha a personalidade magnética de Erik Estrada. Após sete episódios, a MGM aceitou a proposta salarial de Estrada e lhe pagou 7,7 milhões por dois anos. Substituir Erik Estrada não era tão fácil como imaginaram.

Quando Estrada voltou, a tensão ficou ainda maior. Houve muita incomodidade e ressentimento. O elenco se sentia diminuído, devido ao tratamento preferencial a Erik, que, de fato, ganhou muito dinheiro, mas Hollywood o considerou problemático.

Já na 5ª Temporada, a série já tinha péssima publicidade devido às brigas internas e problemas de contratos. Isso atrapalhava muito a audiência, pois os fãs viam que, na vida real, Erik e Larry não tinham o mesmo caráter que apresentavam no vídeo.

Neste clima, só havia espaço para uma estrela e Larry Wilcox decidiu abandonar a série em maio de 1982, no final da 5ª Temporada.

“O dinheiro e a fama não me dominam. Deveríamos ter uma relação que perpetuasse um bom produto ou eu não podia continuar. Pensei na minha integridade e decidi fazer outra coisa”, disse Larry Wilcox. No mesmo dia em que deixou CHiP’s, o ator pediu divórcio de Hannie Strauser.

A desculpa pelo sumiço do oficial Baker foi que ele mudou-se para o rancho de seu pai, que precisava de sua ajuda.

Para substituí-lo na 6ª (e última) Temporada, a produção recorreu a Bobby “Hot Dog” Nelson (Tom Reilly, um ex-jogador de futebol americano). Mas não demorou para Estrada também se indispor com o novo companheiro, não o vendo com bons olhos. E parece que o astro desta vez estava certo, já que tempos depois, Reilly foi preso durante uma blitz policial de trânsito por posse de bebidas (detalhes mais abaixo). O novo ator apareceu em poucos episódios, sendo sua ausência coberta pelo campeão mundial de motociclismo Bruce Penhall, no papel de Bruce Nelson, o irmão mais novo de Bobby Nelson.

O Fim da Série

Na produção da 6ª Temporada, os profissionais estavam esgotados. “Tudo se deteriorava”, declarou certa vez produtor Cy Chermak. Na estreia, todos se surpreenderam ao ver que a dupla estava realmente desfeita. A fim de recuperar o público, decidiu-se que o foco do programa seria em três oficiais. Isso permitia que Estrada fosse oficialmente a estrela do programa.

Mas, esta responsabilidade acabou pesando para o ator e o fez cansar. Havia ainda um conflito entre Erik e Reilly, que não tinha a mesma ética de trabalho do elenco.

Em dezembro de 1982, Reilly foi preso com drogas em uma estrada de Los Angeles, às 3 da manhã em alta velocidade. Golpeou a policial, dizendo que era ator da série CHiP’s. Sua prisão foi muito negativa para a série e ameaçaram tirar os distintivos de policiais dos atores. Isso seria o fim. Erik se aborreceu muito, mas Reilly não foi demitido.Na metade da 6ª Temporada, a audiência começou a despencar. A mudança de elenco e direção foi muito radical, a série não era mais a mesma e a NBC decidiu cancelar tudo. O último episódio inédito de CHiP’s foi ao ar em 1º de maio de 1983, após 139 episódios e um ano depois de Larry Wilcox deixar a série.

CHiP’s 99, um Filme “Reunion”

Quinze anos depois da finalização da série, Wilcox e Estrada deixaram suas diferenças de lado e estrelaram o filme para televisão “CHiP’s 99″, junto com praticamente todo o elenco original da série. Baker, agora casado, passou para capitão e Ponch, viúvo e com um filho, retorna à patrulha depois de 15 anos de ausência. Getraer se tornou comissário de polícia, Grossman é detetive e seu antigo pupilo, Bruce Nelson, acaba de ser promovido a sargento. Apenas Barizca ainda é patrulheiro.

chips99No enredo, Ponch fica muito feliz por reencontrar velhos amigos, em especial, seu companheiro de patrulha John Baker. Ao investigarem o aumento de roubo de carros na região, todos percebem que Frank não abandonou seu estilo teimoso, autoconfiante e intuitivo de agir. Embora alguns conflitos com a nova geração de policiais, Frank mostra que ainda é ágil o bastante para combater o crime. O longa-metragem foi produzido pelo canal TNT e exibido pela primeira vez na TV aberta do Brasil pelo SBT.

Além de resgatar os personagens da série, “CHiP’s 99″ também serviu para a reconciliação de Erik Estrada e Larry Wilcox na vida real, após os desentendimentos que forçaram a ruptura da dupla.

Não houve ressentimentos. Os dois voltaram a ser amigos e fizeram turnê para promover o filme, que foi o mais visto na semana.

“Foi uma grande experiência, pois resolvemos muitas coisas. Desta vez, o respeito muito mais”, diz Wilcox sobre Estrada.

Legado e Curiosidades

» Além da boa audiência trazida para a NBC, CHiP’s também teve um importante papel social, ensinando boas maneiras aos jovens. Elogiada pelas autoridades, a série também ajudou a popularizar e melhorar a reputação dos verdadeiros policiais rodoviários, ao criar uma boa imagem de seus protagonistas como pessoas de caráter e de atitudes positivas. Ficou claro que, apesar de serem policiais, são pessoas iguais a qualquer outra, que tem um trabalho, vida social, planos de vida e romances.

» No final dos anos 1970 e início dos anos 1980, CHiP’s virou uma febre no mundo inteiro, principalmente com as crianças. Larry Wilcox veio ao Brasil, gravou um comercial e participou do Programa Silvio Santos, onde agradeceu os fãs brasileiros, em português, pelo sucesso da série em nosso país. Chegou a encontrar-se com o ícone de patrulheiro rodoviário no Brasil, o ator Carlos Miranda, astro da série O Vigilante Rodoviário.

» Apesar de mostrado na série, os verdadeiros oficiais da California Highway Patrol raramente saem em dupla. O argumento utilizado em CHiP’s foi que Ponch estava aspirando ao cargo do oficial Baker durante a 1ª Temporada e, após o estado probatório, não sairia mais em dupla com Baker. No entanto, a imagem dos dois estava tão ligada que foi impossível separá-los.

» Antes de começar a rodar a série, Erik Estrada não tinha experiência alguma em pilotar motos, sendo necessário fazer um curso intensivo de oito semanas. O mais irônico é que, apesar de interpretar um oficial da lei na série, Estrada revelou muito tempo depois que não tinha licença para guiar moto na vida real, só a conseguindo em 2007, após várias tentativas frustradas, para poder participar do reality show “Back to the Grind”.

Erik Estrada em 2011

Erik Estrada em 2011

» No episódio-piloto, um dos atores chamava-se Jonathan Baker. Ele é sobrinho do criador da série, Rick Rosner.

» Não é difícil ver os logotipos das motos Kawasaki e dos equipamentos Motorola nos episódios de CHiP’s, merchandising muito oportuno para as duas marcas, que embarcaram no sucesso da série.

» CHiP’s foi a primeira série a ser exibida no Brasil que utilizou merchandising. A Glasslite lançou por aqui uma coleção de brinquedos relacionados com a série e confecções produziram uniformes iguais aos dos patrulheiros. Nos Estados Unidos, os brinquedos foram produzidos pela empresa Mego.

» O nome de batismo de Erik Estrada é Henry Enrique Estrada.

» O nome original do policial Barry Baricza (Brodie Greer) sofreu uma pequena modificação na dublagem brasileira, passando para “Barizca”. Certamente para facilitar a sonoridade.

» 7-Mary-3 e 7-Mary-4 são os nomes em código radial dos oficiais.

» Na mesma época da produção de CHiP’s, Rick Rosner tentou emplacar uma outra série policial, desta vez tendo como foco uma equipe especializada em resgates. A série, 240-Robert, estreou em 1979 na rede ABC. Mas, ao contrário da produção com os patrulheiros rodoviários, a série da equipe de resgate durou apenas 16 episódios, com pouco mais de uma temporada, sendo cancelado devido à baixa audiência. Esta série foi exibida no Brasil na década de 80.

» As cenas externas ambientadas em rodovias foram filmadas na região do Vale de San Fernando, na Califórnia, em trechos semi-acabados, prestes a serem abertos ao tráfego. A produção estava sempre atenta para encontrar outras obras realizadas nas redondezas, visto que os trechos utilizados não demoravam em serem liberados ao tráfego.

Larry Wilcox em 2011

Larry Wilcox em 2011

» Apesar de que muitos associam o nome da série com batatas fritas, o nome, na realidade, vem das siglas em inglês de California Highway Patrol.

» Para manter os custos baixos de produção, os carros-de-patrulha usados em CHiP’s foram comprados em leilões. Em diversas ocasiões, se viam os mesmos automóveis despedaçar-se uma e outra vez.

» A maioria das proezas com as motos foi realizada pelos próprios atores, o que resultou em várias de lesões de todo tipo para eles, mas nada comparado com o incidente de agosto de 1979, quando Erik Estrada sofreu um sério acidente, quebrando duas costelas e causando vários pontos de sutura na cabeça. Ficou quatro dias na UTI, fraturou pulso, 12 costelas, perfurou pulmões e sofreu um grande corte no queixo. Este acidente e a hospitalização de Ponch foram, inclusive, incorporados em um episódio e a série passou a ter ainda mais audiência. Todos queriam ver o ator que quase havia morrido. Wilcox esqueceu as desavenças no ato do acidente e socorreu Erik prontamente. Distraiu o parceiro enquanto os paramédicos chegavam.

» Em 2010, surgiu a notícia de que a Warner Brothers Television teria um novo projeto para uma nova versão de CHiPs. A adaptação ficaria a cargo de Nicolas Falacci e Cheryl Heuton (criadores da série Numb3rs), com produção de Topher Grace, ator da série That 70′s Show, em parceria com Gordon Kaywin. Esta foi a segunda vez que se falou em um remake da série e nada se concretizou. A primeira foi em 2002, quando a NBC chegou a encomendar um roteiro, escrito por Natalie Chaidez. Mas o canal não gostou do resultado, encomendando um novo roteiro, desta vez assinado por Martin Kunert e Eric Manes. O roteiro foi novamente rejeitado e o projeto engavetado. Em 2005 falava-se de uma versão para o cinema, com Wilmer Valderrama assumindo o lugar de Erik Estrada.

Links Interessantes

» www.chips-tv.com

» www.erikestrada.com

» www.larrywilcox.net

» www.thechipscommunity.co.uk

// Clique aqui para ver a Lista de Episódios de Chips

O autor desta matéria é Maurício Viel. Publicada originalmente em 24/04/10. Escreva para nós e faça seus comentários.

Multimídia

Clique e assista à abertura de CHiP’s com a dublagem brasileira.

Clique e assista a um vídeo (em inglês) do evento ocorrido em 2012, nos EUA, onde parte do elenco de CHiP’s comemorou os 35 anos da série.

TV

Depois de ser exibida pela TVS (1979/82), Rede Record (1982/85), Rede Bandeirantes (1988), TNT (início dos anos 1990) e Rede Manchete (1993), CHiP’s só voltou à televisão brasileira em 2007, por intermédio do canal TCM, especializado em filmes e seriados clássicos. Todas as seis temporadas foram exibidas com as dublagens originais. A última exibição foi entre maio e julho de 2009. Eventualmente, a Rede Brasil de Televisão reprisa alguns episódios da série.

DVD

Em setembro de 2007, aproveitando o aniversário de 30 anos do lançamento da série, chegou às lojas brasileiras o box com a 1ª Temporada completa de CHiP’s, com o selo Warner Home Vídeo.

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1ª e 2ª Temporadas

O box é praticamente idêntico ao americano (lançado dias antes), com o lado positivo de se ter a dublagem em português original do estúdio BKS, à exceção de um episódio que foi redublado nos estúdios Herbert Richers. Como extras, comentários de Ponch “em pessoa” em diversos dos episódios, além do documentário “A Resistência do Harlem Hispânico”.

Quem comprou a 1ª Temporada no período de pré-venda, ganhou de brinde uma réplica do óculos Ray-Ban usados pelos patrulheiros na série.

A 2ª Temporada chegou em maio de 2008, também com a dublagem da época, mas sem extras.

Passado alguns anos desses lançamentos, a Warner não disponibilizou as demais temporadas, nem aqui no Brasil, nem nos EUA. Não foi divulgado nenhuma nota afirmando os motivos da interrupção.

As imagens das duas temporadas foram tratadas (remasterizadas), ganhando mais definição, brilho e cores no DVD.

Galeria

Clique nas imagens para ampliá-las.

Comentários

  1. Cido Ribeiro disse:

    Como fã incondicional da série só tenho a agradecer e me emocionar com um dos textos mais informativos e completos sobre Chip’s … parabéns Maurício por trazer de volta toda a alegria e sensação boa que vivíamos à frente da tv nos idos de minha adolescência .

    ( Notinho : Hoje possuo uma moto custon personalizada e o gosto por viagens e estradas inspiradas em minha infância )

  2. Fabiano disse:

    Realmente,um excelente texto relembrando uma série que marcou a infância dos anos 80. Até hoje coleciono artigos sobre a série.Cheguei até a escrever para a Patrulha Rodoviária da Califórnia e eles me mandaram de presente a insignia que vai na manga da camisa do uniforme.Saudades daquele tempo!!!