Columbo

Ficha-Técnica

Título: Columbo (Columbo/1968-2003/EUA/Cor)
Criação: Richard Levinson, William Link
Produtor Executivo: Richard Irving (Pilotos)
Produtor: Everett Chambers (1ª Temporada), Dean Hargrove (2ª Temporada)
Elenco: Tenente Columbo (Peter Falk)
Música: Dave Grusin, Billy Goldenberg, Gil Mellé, Dick de Benedetis, Olivier Nelson, Bernardo Segall, Jeff Alexander, Robert Prince, Pat Williams, Jonathan Tunik, Henry Mancini (tema de “The NBC Mystery Movie”)
Estúdio: Universal Pictures
Formato: 2 longas-metragens-piloto (1968 e 1971); 59 episódios com duração entre 70 e 90 minutos em 11 temporadas (1971/90); 8 especiais (1991/2003)
Dublagem: Herbert Richers/RJ, com Nílton Valério (Tenente Columbo – 1ª Temorada), Celso Vasconcelos (Tenente Columbo 2ª a x temporadas) e Ricardo Mariano (narrador)

Introdução

Qual a fórmula secreta para se criar uma série de televisão de sucesso? Quais os ingredientes necessários para que se chegue a uma produção televisiva que possa agradar a uma grande parcela do exigente público telespectador? Agradar a um público que sempre é exposto a um sem número de produções e bombardeado por todos os lados com reprises, novas produções e novas roupagens?

Para o sucesso de qualquer série de televisão é preciso que ela seja centrada num personagem carismático, original, mágico, cujo público exigente possa identificá-lo, amá-lo e odiá-lo ao mesmo tempo. Além disso, uma série deve trazer alguns elementos secundários – mas também indispensáveis – que façam parte da rotina daquele personagem e sirvam para sacramentá-lo e diferenciá-lo como se fossem seu cartão de visita. Deve-se vincular personagem a algum estereótipo, a algum trejeito, a uma peculiar forma de falar, de trajar e de vestir. Um personagem que possua algo de excêntrico, às vezes até mesmo extravagante, mas que a química entre todos os elementos, principais e/ou secundários, seja perfeitamente plausível e que as dosagens de humor, ação, sarcasmo, inteligência, suspense e atuação estejam na medida certa, simetricamente. Algo parecido como a série Columbo.

A Série

columbo-materia1Tenha em mãos os seguintes ingredientes: um casaco de chuva desbotado e amassado, um charuto vagabundo e fedorento; um automóvel Peugeot 1960 que solta muita fumaça e que tenha um barulho característico de motor velho prestes a fundir. Pegue, ainda, um ator fantástico, do quilate e da competência de Peter Falk.

Tente fazer com que o ator se adapte ao casaco de chuva, que fume aquele charuto fedorento e dirija o velho automóvel. Dê-lhe uma personalidade incomparável e o cargo de tenente do Departamento de Polícia de Los Angeles. Recomende ao ator que ele faça uma cara de idiota e demonstre uma simplicidade inigualável. Elabore tramas astuciosas e engenhosas de assassinatos, crimes quase que perfeitos, que demonstrem toda a arrogância e a prepotência de qualquer mente criminosa tida como superior. Dê, ainda, a esse personagem central, um cérebro privilegiadíssimo, uma invejável astúcia e perspicácia, sobre mais uma inteligência infinitamente maior do que a de qualquer Sherlock Holmes ou Hercule Poirot.

Agora, temos elementos suficientes para identificar uma das maiores e melhores séries da televisão americana já produzida: Columbo.

Ela foi exibida entre 1971-78 na rede NBC dos EUA. Foram produzidos 43 episódios de média-metragem. Em 1988, a série voltou a ser produzida, porém, de emissora nova — ABC –, com mais 16 episódios de duas horas de duração. Entre 1991-03, oito filmes com duas horas de duração foram produzidos.

Mais de 30 anos após sua estreia, o inesquecível e incomparável Tenente Columbo ainda desponta como uma das maiores criações originais da história da televisão mundial, proveniente da inventiva mente dos criadores Richard Levinson e William Link, continuando a causar um verdadeiro frisson nos telespectadores de todo o mundo. A série adquiriu novos fãs em todo esse tempo e jamais perdeu sua graça, magia e a veneração dos antigos fãs que, de alguma forma, ainda hoje se identificam com aquele ar de ingenuidade e humildade extrema.

Estes elementos mascaram uma mente afiadíssima e o prazer de participar de verdadeiros jogos de gato e rato com vilões convencidos de que cometeram o crime perfeito, infalível e máxime. Quando os criminosos visualizam que a autoridade policial, representada aparentemente por um idiota, o subestimam e é aí que perdem o jogo, curvando-se ao talento e à engenhosidade do personagem central, sempre fazendo comentários perfeitos e perguntas muito capciosas.

Uma das maiores virtudes do tenente é sua forma de investigar. Não usa a força mas é capaz de espremer, em uma guerra psicológica, as mais surpreendentes confissões dos suspeitos. Por isso, Columbo é considerado um dos mais cerebrais detetives dos anos 1970.

“Não há violência, corridas com carro, ação. Ele nunca leva uma arma consigo. Nosso ponto de referência foi Petrovich, o detetive do romance Crime e Castigo, de Dostoievski”, disse certa vez o produtor William Link.

As intrincadas investigações de homicídios de Columbo iniciaram-se num seguimento popular, conhecido por The NBC Mystery Movie. Advindo o previsível sucesso do personagem, a emissora deu-lhe maior crédito e uma posição destacada na sua programação. Diferente de outras séries de mistério, em Columbo o assassino é identificado nos primeiros minutos, salvo algumas raras exceções que só percebemos com o passar dos anos de produção. O tenente entra em cena somente após o vilão (geralmente rico ou importante) ser visto cometendo o crime e encobrindo-o. Tudo isso por volta dos 15 minutos de filme. O telespectador é então desafiado a continuar com o personagem em todo o seu processo investigativo, sempre paupérrimo de pistas e sinais que possam levá-lo à autoria do crime cometido, aparentemente perfeito. Mas a mínima pista para nós pode significar um detalhe de grande relevância na mente privilegiada do tenente, a fim de elucidar todos os elementos do crime.

O Tenente Columbo não menciona seu sobrenome – “Me chame apenas de Tenente”. Gentleman com as mulheres até na hora de prendê-las, mas misterioso no amor, Columbo diz ter uma amada mulher em casa, mas jamais foi vista na série. Os produtores não abusaram da condição de anty-sexy-symbol de Peter Falk, pois Columbo nunca beijou ou foi para a cama com uma mulher em toda a série. Mesmo assim, não deixa de lado seu ar de galã, usado para conduzir moças ao xadrez.

Possui também um cachorro, simplesmente chamado de Cão. Ele o acompanhou em alguns casos, mas normalmente fica dentro do carro do detetive. Columbo sempre chega adiantado aos encontros. Dentro de casas ou escritórios dos suspeitos, está sempre observando e comentando sobre alguns objetos que lhe chamam a atenção. Como ninguém é perfeito, nunca tem uma caneta ou um isqueiro disponíveis.

O Peugeot 403 de Columbo: 1,1 milhão de unidades vendidas

O Peugeot 403 de Columbo: 1,1 milhão de unidades vendidas

O carro de Columbo é todo surrado, sujo e amassado. Mesmo assim, o modelo ficou muito famoso devido a série. Trata-se de um Peugeot 403, que atingiu a espetacular soma de 1,1 milhão de unidades vendidas e chegou até a virar miniatura para venda na época.

O Tenente possui um casaco, que é sua marca registrada. Dificilmente o tira, mesmo quando, num episódio, fez caminhadas na Praia de Santa Monica entre banhistas trajados de sunga de banho e biquínis. Como telespectador, soltei uma tremenda gargalhada quando, pela primeira vez, vi Columbo tirar o casaco durante uma tempestade, enquanto todas as outras pessoas estavam vestindo seus respectivos casacos de chuva. Outra ocasião clássica que marcou a série foi durante a cena de um baile à fantasia, quando Columbo foi aplaudido por estar vestindo o seu próprio casaco!

O Tenente Columbo teve dois filmes-pilotos feitos para a tevê. O primeiro, de 1968, foi uma adaptação da peça “Prescription: Murder” (“Fórmula para Matar”) e não foi idealizado originalmente para ser o piloto de uma série. O segundo (1971) foi “Ransom for a Dead Man” (“Resgate para um Morto”), foi produzido para realmente ser o episódio-piloto da série, visto o grande sucesso do filme anterior.

No dia 15/09/1971, estreava a série Columbo na NBC, que passou a angariar para si, inicialmente às quartas e posteriormente aos domingos, toda a audiência do canal. O episódio de estreia foi “Murder By the Book” (“Um Crime Quase Perfeito”), onde o ator Jack Cassidy fez o papel do primeiro vilão enfrentado por Columbo na série propriamente dita. Esse episódio foi dirigido por ninguém mais, ninguém menos, do que Steven Spielberg, então com 25 anos.

No decorrer da série, vários vilões que subestimaram Columbo foram desmascarados: Janet Leigh, Robert Culp, Sal Mineo, Roddy McDowall, Robert Conrad, Vincent Price, Ida Lupino, William Shatner, Ruth Gordon e, mais recentemente, Faye Dunaway. O Tenente, mesmo casado e falando da sua mulher, teve um inusitado e discreto namoro com a personagem de Dunaway. Patrick McGooham, da incomparável série O Prisioneiro, era um grande fã de Columbo e chegou a participar como assassino em dois episódios. Tal fato lhe rendeu o prêmio Emmy. Posteriormente, ele mesmo, McGoohan, dirigiria alguns episódios de sua série predileta.

Não importa quão mirabolante é o plano, quão astucioso e perigoso é o vilão, a quem Columbo às vezes agrada e irrita com a frase: “Só mais uma coisa”. Tais vilões sempre são superados pelo tenente antes do último intervalo comercial.

A série Columbo tornou-se tão popular e lucrativa que ao final da produção pela NBC, em 1978, Falk estava à frente de uma série com cerca de 2 milhões de dólares por temporada. Fontes fidedignas dão conta de que por volta de 1975, Peter Falk ganhava 125 mil Dólares por episódio, um montante impressionante para as cifras normalmente praticadas nas produções da época. Mesmo quando fazia apenas meia dúzia de episódios por temporada, Peter Falk alimentava explicitamente sua já gorda conta bancária.

Como os episódios de Columbo são, na prática, filmes de média-metragens, cada temporada da série contou com  poucos episódios, variando entre seis e oito entre a 1ª e 5ª temporadas; e entre três e seis da 6ª à 9ª temporadas. Na 10ª, foram também contabilizados alguns especiais, somando 14 episódios.

O Fim da Primeira Série e a Volta de Columbo

Quando Falk deixou de viver o personagem, em 1977 (7ª Temporada), ele era um dos mais bem pagos atores da televisão e um constante sucesso de público. Segundo ele, nunca quis abandonar o personagem, mas a questão era encontrar uma forma de poder fazer outras coisas simultâneas a Columbo. Além disso, Falk temia ser estereotipado pela figura do tenente.

columbo-materia7Desde que Falk deixou de interpretar Columbo, ele fez alguns papéis em filmes, como um agente da CIA maniacamente astucioso (“The In Laws”), um avô contador de histórias (“The Princess Bride”) e um anjo preso à Terra (“Wings of Desire”).

Nos dez anos após a saída de Falk, o co-criador de Columbo, William Link, tentou diversas vezes atrair o ator de volta. Mas ele estava sempre ocupado e, além disso, preocupado se a volta da série pudesse ser um grande problema. Mas, no final dos anos 1980, Link contratou o roteirista original da série, Richard Alan Simmons, e voou para Nova York, onde Falk rodava o filme “Cookie”. O ator acabou sendo seduzido e tirou sua velha e amarrotada capa de chuva do guarda-roupa para interpretar novamente o dissimulado detetive de sucesso.

Isso por que foram desenvolvidas boas histórias, algo que garantiria uma reestreia não apenas nostálgica. Além disso, a ABC, nova emissora que exibiria a série, prometeu que o ator poderia perfeitamente fazer outros papéis, mesmo protagonizando Columbo. Foram produzidos mais 10 episódios, que fizeram parte de um pacote de média-metragens chamado ABC Monday Mistery Movie.

A série continuou como a mesma fórmula de antes. Trouxeram o cão de volta, conseguiram o velho carro e a capa de chuva foi reformada e depois substituída por uma idêntica. Ao vestir o casaco de chuva novamente, parecia que Peter Falk jamais houvera se despojado daquela peça e que ela jamais havia entrado numa lavanderia. Na verdade, um dos produtores da série inicial tinha comprado um estoque de casacos de chuva idênticos ao de Columbo, porque aquela peça já havia sido solidificada como a marca registrada da inesquecível imagem do personagem.

O Cão de Columbo

columbo-materia3Conhecido apenas por “Cão”, o cachorro de Columbo é um ótimo farejador, persistente na perseguição e resistente a ponto de andar horas a fio. Sem dúvida é muito parecido com seu dono. Depois da preferência pelo carro francês, nada melhor que um cão de mesma nacionalidade. Os adjetivos usados para descrever um Basset-Hound envolvem conceitos de docilidade e pouca atividade: manso, bonzinho, carente, preguiçoso, lerdo e até dorminhoco. Correr e brincar, só às vezes. É um bom companheiro e não está habituado a ficar sozinho. Depois de algum tempo, começa a latir sem parar num tom rouco, forte e bem alto, digno de um cachorrão que transmite a agonia de sua solidão. Quando apareceu em alguns filmes de Columbo, demonstrou suas características. O companheiro ideal de um detetive teimoso.

Curiosidades

• Peter Falk não foi o primeiro Columbo. Bert Freed apresentou o personagem no episódio “Enough Rope” (1960), da série The Chevy Mystery Show. Após isso, foi a vez de aparecer em um filme de 1968, chamado “Prescription: Murder”, que se transformou posteriormente em um episódio da série com Peter Falk. Thomas Mitchell fez o papel de Columbo com o sotaque irlandês peculiar e pesado.

• Bing Crosby foi a primeira opção para viver o personagem na série. Mas, como já tinha 67 anos, não queria deixar seu golfe para ficar atrelado a uma série de televisão regular e recusou o papel.

• Somente uma vez, no episódio de duas horas de duração “Last Salute to the Commodore”, em 1976 (dirigido por Patrick McGoohan), a identidade do assassino não foi revelada, senão até poucos minutos antes do desfecho da estória.

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Kate Mulgrew interpreta Kate Columbo

• A Sra. Columbo jamais foi vista na série, mas existiu uma spin-off de Columbo, exibida nos EUA de janeiro a dezembro de 1979, que inverteu os papéis. Nela, a Sra. Columbo, conhecida por Kate Columbo, era uma repórter de um jornal local e mãe de uma garota de sete anos. Haviam alusões ao personagem Columbo, mesmo ele não aparecendo. Quem interpretou a mulher era a atriz Kate Mulgrew, mais conhecida pelo papel na série Star Trek: Voyager, onde vive a personagem, Capitã Kathryn Janeway. A atriz realmente tem cara de Kate, pois as iniciais “K” e “A” sempre a perseguem nos nomes das personagens a que dá vida. A produção fora rejeitada pelos fãs e teve três títulos diferentes: Kate Loves a Mystery, Kate, the Detective e Kate Columbo.

• Por sua brilhante participação na série Columbo, Peter Falk ganhou o Prêmio Emmy como melhor ator principal em série dramática nos intervalos de 1971/72, 1975/76 e 1989/90, além de ter colecionado outros prêmios, inclusive o próprio Oscar da Televisão (Emmy) em outras categorias.

• Além do personagem Columbo, os criadores Richard Levinson e William Link criaram outro ícone de séries de tevê detetivescas, a incomparável Jessica Fletcher, que resolveu 264 casos de assassinatos durante as 12 temporadas da série Assassinato por Escrito (Murder, She Wrote, 1984-96).

• “It´s All in the Game” é um episódio de Columbo com 98 minutos, que estreou nos EUA em 1993, numa espécie de revival. Foi estrelado por Peter Falk e Faye Dunaway.

Peter Falk

Peter Falk morava em Beverly Hills, subúrbio de Hollywood (Los Angeles).  Dizia que não gostava de fazer visitas e não se sentia à vontade nos salões. “Me sinto muito melhor na cozinha”. Quando, um dia, foi chamado a Hollywood pela Columbia Pictures, o chefão do estúdio, Harry Cohn, o vetou logo de início, alegando que Falk tinha um olho de vidro. “Pelo mesmo preço, posso ter um ator com dois olhos”, disse o executivo.

Foi quando, então, pensou em voltar a Connecticut com seu trabalho para o Governo do Estado, na Secretaria de Finanças. Era formado em ciências políticas e administração pública. Antes, na 2ª Guerra, esteve na Marinha Mercante, onde trabalhou como cozinheiro.

columbo-materia6“Confesso que durante muito tempo me pareceu impossível que pudesse estar na mesma confraria do Glen Ford ou Rock Hudson. Nessa época, eu alimentava uma ideia muito romântica de que os artistas eram um tipo de gente muito especial e que pessoas comuns jamais se tornariam artistas. Mas, uma dia, eu tinha 27 anos, parei em frente a um teatro em New Heaven e comecei a seguir Roddy Mac Dowall, Estelle Winwood e Maria Riva até uma lanchonete, só para ouvir o que conversavam. O papo era absolutamente banal e eu pensando que eram todos gênios”, disse Falk em um entrevista da época.

Mas, mesmo com um olho só, vieram a Broadway e a tevê, em um episódio de Dick Powell Show; como Abe Reles na série Murder Inc., que lhe valeu uma indicação para o Oscar; em um episódio da série Os Intocáveis, vivendo um gângster. No cinema, atuou nos filmes “Dama Por Um Dia” (Pocketful of Miracles, 1961), “Deu a Louca no Mundo” (It’s a Mad, Mad, Mad World, 1963), “A Corrida do Século” (The Great Race, 1965), entre outros, quase que sempre se caracterizando como gângster.

Mas, depois de seu fracasso na série Ther Trials of O’Brien (1965-66), Peter Falk não quis mais saber de televisão. Voltou atrás em 1968, estrelando a première mundial “Prescription: Murder”, na qual apareceu pela primeira vez como Columbo. Apesar do sucesso, não quis continuar a série, mas estar livre para ir aonde quisesse: à Broadway, ao cinema ou viajar.

Algum tempo depois, voltou a representar Columbo em outra première mundial: “Ranson for a Dead Man”, quando deixou fascinar-se definitivamente pelo personagem. “Eu poderia me divertir fazendo Columbo e hoje reconheço que estou satisfeito com a experiência”, declarou.

Falk nasceu em 16 de setembro de 1927, em Nova York, em uma família judia, de pai russo e mãe tcheca. Seu nome completo é Peter Michael Falk. Após ter concluído um mestrado em ciência política na Universidade de Siracusa (Estado de Nova York) e de ter trabalhado como cozinheiro, tentou em vão se integrar à agência americana de informação, a CIA, lançando-se na carreira de funcionário público do Estado de Connecticut (nordeste). Deixou o cargo em 1957.

Peter Falk e sua segunda esposa, a atriz Shera Danese

Peter Falk e sua segunda esposa, a atriz Shera Danese

Foi casado entre 1960-76 com a estilista Alice Mayo. Com ela, adotou duas filhas, Jackie e Catherine. No ano seguinte à separação, ele se casou com a atriz Shera Danese (foto).

O olho direito de Falk foi removido cirurgicamente quando ele era criança, em função de um tumor maligno, e substituído por um olho de vidro. Essa deficiência se tornaria a grande marca registrada física do ator em Columbo, na medida em que intensificava a imagem esdrúxula e desleixada do detetive.

O ator teve os primeiros sinais da Doença de Alzheimer em 2005. Seu estado piorou após se submeter a intervenções cirúrgicas em 2007-08. O ator ficou sob a custódia de Danese a partir de junho de 2009, depois que um juiz de Los Angeles o declarou incapaz, devido a seu quadro de demência. Ela obteve a tutela do ator após seis meses de batalha legal com uma das filhas de Falk, Catherine.

Nas audiências, um dos médicos confirmou que ele padecia de demência avançada e que não se lembrava de seu passado como ator e nem reconhecia sua filha.

O ator Peter Falk morreu em sua casa, em Beverly Hills, na noite de 23 de junho de 2011. Ele ganhou quatro prêmios Emmy por interpretar o detetive Columbo. Dos 69 episódios da série, Falk produziu ou coproduziu 24.

No cinema, Falk fez 60 filmes, muitos deles com seu amigo John Cassavetes (entre eles “Os Maridos” ["Husbands", 1970]) e “Uma Mulher Sob Influência”, em 1974). Costumava dizer que só tinha dois amigos em Hollywood: os atores John Cassavettes e Ben Gazzara. Falk recebeu indicações ao Oscar em 1961-62, por seu trabalho como coadjuvante nos filmes “Murder, Inc.” e “Dama por Um Dia”, com Bette Davis.

Apareceu como ele mesmo em “O Jogador” (1992), de Robert Altman, “Asas do Desejo” (1987) e “Tão Longe, Tão Perto” (1993), ambos de Wim Wenders. Em 2007, Falk fez uma participação no filme “O Vidente”, com Nicolas Cage. Seu último trabalho no cinema foi no filme “American Cowslip”, de 2009.

» Clique aqui para acessar o site oficial de Peter Falk.

Assassinato Por Morte

Em 1976, foi lançado nos EUA um filme de comédia em longa-metragem,  intitulado “Assassinato por Morte” (Murder by Death). Na direção, Robert Moore e, no elenco, Peter Falk, Peter Sellers, James Coco, Maggie Smith, David Niven, Truman Capote, Alec Guinness, Eileen Brennan, entre outros.

murder-by-deathO filme é uma sátira às histórias de detetives. Um milionário excêntrico e gênio eletrônico reúne para um fim-de-semana em uma mansão num lugar remoto, os maiores detetives do mundo. O próprio Peter Falk parodia o detetive Columbo. David Niven parodia do marido do casal de detetives criados por Agatha Christie, na série de livros “Parceiros no Crime”. Peter Sellers parodia os detetives chineses Charlie Chan e Mr.Wong. James Coco faz uma paródia de Hercule Poirot, outro detetive de Agatha Christie. E por assim vai.

O anfitrião, após chegada dos convidados, afirma ser ele o maior detetive do mundo e, como prova, propõe a resolução de um crime ainda por ocorrer à meia-noite desse mesmo dia. Se alguém conseguir resolver o mistério e descobrir o assassino, ganha não só o título, mas também a soma de 1 milhão de dólares. No entanto, a visita está longe de ser agradável, já que o crime em questão acaba por ser o assassinato do próprio milionário. E todos os convidados são suspeitos, uma vez que são reveladas relações obscuras do passado deles com Twain.

// Clique aqui para ver o Guia de Episódios de Columbo

Os autores desta matéria são Augusto Ponte e Maurício Viel. Escreva para nós ou faça seus comentários abaixo.

Celso Vasconcellos, a voz de Columbo

O jornal Folha de São Paulo publicou uma matéria sobre a série Columbo em agosto de 1973, destacando seu sucesso no Brasil. Em um “box” desta matéria, uma reportagem sobre o segundo dublador brasileiro do Tenente Columbo, o carioca Afonso Celso Vasconcellos, na época com 29 anos e na carreira de dublador há cinco anos.

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Celso Vasconcellos em foto recente

De acordo com a reportagem, Celso foi escolhido pela Herbert Richers para entrar na 2ª Temporada de Columbo por ter um jeito de falar semelhante ao do ator Peter Falk. Na época, o dublador também fazia fotonovelas, comerciais para a televisão e cursava o terceiro ano de veterinária pela Universidade Federal Fluminense.

Na entrevista, Celso Vasconcellos revelou que gostaria de voltar a trabalhar como ator na televisão, naquela época, mas estava se realizando profissionalmente no papel de Columbo. “Gosto mesmo de fazer o Columbo. Ele é a figura do anti-herói do cinema”. E completou:

“É difícil traduzir o Columbo. Ele mistura tudo, faz uma confusão desgraçada, gesticula desordenadamente. No entanto, é justamente em cima dessa desorganização toda dele que o dublador pode criar. E o que eu faço não é nada mais nada menos que criar, permitindo um dimensionamento da figura do detetive”.

O primeiro dublador do Tenente Columbo foi Nílton Valério. Embora Vasconcellos tenha entrado na 2ª Temporada de Columbo, a distribuidora da série (MCA) havia gostado tanto do seu trabalho, que quando ele disse que iria mudar-se para Minas Gerais cursar veterinária, a distribuidora fez a Herbert Richers pagar as passagens de Vasconcellos para o Rio de Janeiro, para que ele continuasse a dublar o Columbo.

Além do Tenente Columbo, Celso dublou Dan Moroboshi (Ultraseven), Robert Wagner (O Rei dos Ladrões), John Boy (Os Waltons), Aquaman (série animada da Filmation), entre outros.

Celso Vasconcellos entrou para a dublagem por acaso, em 1968, nos estúdios paulistanos AIC. Havia ido a São Paulo para fazer tevê, mas como as coisas estavam demorando muito para acontecer, acabou parando na dublagem para defender algum. Com boa entonação, o rapaz ganhou seu primeiro papel principal naquele mesmo ano, dublando o ator Edmond O’Brien ainda bem jovem, no filme clássico “O Corcunda de Notre Dame”. Celso Vasconcellos, mesmo trabalhando no Rio, sempre manteve sua clínica veterinária em Belo Horizonte, intercalando seu trabalho de veterinário e de dublador até o final dos anos 1980, quando saiu da dublagem para se dedicar por completo a profissão de veterinário. Seu último trabalho importante, na dublagem foi o personagem “John Cage” (Peter Mcnilson) da premiada série Ally Mcbeal.(1997-02)

TV

A TV Tupi de São Paulo foi a responsável por estrear Columbo no Brasil, em abril de 1973(*). As exibições aconteciam às segundas-feiras, 21h, dentro de seu programa original, Os Detetives (NBC Sunday Mistery Movie), onde, inicialmente, também eram exibidas as séries Casal McMillan e McCloud, em sistema de rotatividade.

rede-tupi-logoEm uma nota publicada no jornal Folha de São Paulo, em agosto de 1973, a série de maior sucesso no programa Os Detetives, na TV Tupi, era Columbo, seguida por Casal McMillan e McCloud. Segundo Cláudio de Souza Machado, do Departamento de Cinema da TV Tupi, a emissora havia adquirido 41 episódios de Os Detetives ao preço de 1 milhão de Cruzeiros (o exemplar do jornal custava Cr$ 1,00). Quando a TV Tupi começou a exibir Os Detetives, o programa ainda estava em produção.

Durante o anos 1980, a TV Record exibiu Columbo às sextas-feiras, 23h. Ficou fora do ar em 1982 e voltou pela Record no início de 1983, às quartas-feiras, 23h, passando posteriormente paras as quintas-feiras, no mesmo horário, onde permaneceu até meados de 1983. Em outubro de 1984, a série mudou-se para as quartas, 23h35.

O canal pago Universal Channel exibiu Columbo em 2004, com dublagem original, sendo que, até hoje, a série não voltou a ser reprisada na tevê brasileira.

(*) Como a TV Tupi de São Paulo era geradora da rede, entende-se que logo após a estreia em São Paulo, as retransmissoras de todo o Brasil começaram a receber as fitas com os episódios de Os Detetives, visto que na época ainda não havia rede via satélite.

DVD

A série Columbo foi lançada em DVD no Brasil, entre 2005-07. A Universal Home Video colocou no mercado as três primeiras temporadas, sendo que apenas a segunda disponibilizou a dublagem original em português, gravada pelo estúdio carioca Herbert Richers. A 1ª e 3ª temporadas disponibilizaram, apenas, legendas em português e áudio original em inglês. As imagens foram todas remasterizadas e o resultado ficou excelente, podendo-se reparar em detalhes das cenas. O primeiro box disponibilizou os dois primeiros longas-metragens da série, bem como os sete episódios da 1ª Temporada. Infelizmente, os DVDs se esgotaram e a Universal não os relançou mais.

Nos anos 1990, foi lançado um episódio em VHS no Brasil, chamado “Columbo Vai Para a Guilhotina”.

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Capas das três temporadas de Columbo, lançadas no Brasil

Multimídia

Assista à abertura do programa Os Detetives (NBC Sunday Mistery Movie), onde são apresentadas as séries ColumboCasal McMillanMcCoy e McCloud. Detalhe para a narração original em português, na voz de Ricardo Mariano, dos estúdios Herbert Richers.

Galeria

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