O Elo Perdido

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Ficha-Técnica

Título: O Elo Perdido (Land of the Lost/1974-77/EUA/Cor)
Gênero: Série/Aventura
Produtora: Sid & Marty Kroft
Elenco: Spencer Milligan [Rick Marshall - temporadas 1 e 2]; Ron Harper [Tio Marshall Jack - temporada 3]; Wesley Eure [Will Marshall]; Kathy Coleman [Holly Marshall]; Philip Paley [Cha-Ka]; Sharon Baird [Sa - temporadas 1 e 2]; Giamalva Joe [Ta - temporada 1], McKay Scutter [Ta - temporada 2]; Edmiston Walker [Enik]; Miller Marvin [voz de O Zarn]; Van Snowden [corpo de O Zam - temporada 2]; Richard Kiel [Malak - temporada 3]; Jon Locke [Sleestak Líder - temporada 3]; Dave Greenwood [Sleestak]
Formato: 43 episódios de 23 minutos em 3 temporadas
Dublagem: BKS/SP (1ª versão), Centauro/SP (versão para o DVD)
Exibição no Brasil: TV Globo / TVS (SBT) / Rede Brasil de Televisão / UlbraTV

Introdução

Sid Krofft foi um famoso marionetista que trabalhou em alguns famosos circos americanos. No início dos anos 1940, criou um show de marionetes denominado “The Art of Sid Krofft Unusual”, onde interpretou vários personagens por conta própria. O show visitou vários países e as marionetes foram criadas pelo próprio Sid e por seu irmão Marty. Em 1957, os Krofft criaram “Les Poupées de Paris”, outro show de marionetes, mas desta vez com temas mais maduros.

Sid (esq) e Marty Krofft

Os produtores Sid e Marty Krofft

Em 1969 foi a vez dos irmãos canadenses chegarem à tevê com o estilo Krofft e estrearam o programa infantil H. R. Pufnstuf (A Flauta Mágica, no Brasil) em 1969. A partir daí, a dupla criou diversas outras séries para as crianças, como Lidsville e Os Bugaloos. Posteriormente, o foco passou para histórias fantásticas com as séries Mulher Elétrica e Garota Dínamo, Doutor Encolhedor, Se Meu Buggy Falasse e O Elo Perdido, a primeira grande produção dos irmãos Krofft.

O Elo Perdido foi ao ar originalmente nos EUA pela rede de televisão NBC. No entanto, também foi exibido posteriormente por emissoras menores dos EUA (syndication) no início dos anos 1980, como parte do pacote “Superstars Krofft”.

Em 1985, a série retornou ao “Saturday Morning” americano, desta vez pela Rede CBS, em substituição ao cancelamento da série Pryor’s Place, que também é uma produção da Krofft. No Brasil, O Elo Perdido foi exibido pela TV Globo, no programa “Show das 5” e pela TVS/SBT. Atualmente, está sendo transmitida pela Rede Brasil de Televisão.

A Série

O guarda florestal Rick Marshall e seus dois jovens filhos, Will e Holly faziam uma expedição em uma floresta, quando decidem promover uma pequena aventura e descer um grande rio de bote. Mas, um eventual e fortíssimo terremoto fez com que um portal dimensional fosse aberto e transportasse toda a família para um lugar desconhecido, uma espécie de pré-história, com diversas formas fantásticas de vida, tecnologia misteriosa e estranha geografia.

Embora o termo “tempo” seja utilizado em toda a série, O Elo Perdido não pretendeu retratar uma época da história da Terra, e sim, uma zona enigmática cujo local e hora são desconhecidos. Todos os eventos naturais que acontecem no Elo Perdido são promovidos por uma espécie de painel de controle com cristais luminosos e coloridos, localizados em uma pirâmide chamada Pylon.

Holly, Will e Rick

Holly, Will e Rick

O Elo Perdido é habitado por dinossauros, por um povo primata inofensivo chamado Pakuni e por agressivas criaturas humanoides chamadas Sleestaks, que se parecem com homens-lagartos.

Apenas com a roupa do corpo, a família se refugia em uma caverna e passa a improvisar objetos e ferramentas para sobreviver e tentar encontrar um caminho de volta para seu próprio mundo. Os perigos mais comuns que a família Marshall enfrenta são as visitas frequentes dos perigosos e famintos dinossauros, em especial um tiranossauro rex apelidado de Zangado. No entanto, muitos dos dinossauros são herbívoros, não representando qualquer ameaça para os humanos. Entre eles, uma jovem brontossauro apelidada de Dunga, que se torna animal de estimação dos Marshall.

Frequentemente, a família também tem de enfrentar os hostis Sleestaks. A todo momento, eles querem capturar os humanos que, por sua vez, descobrem que eles tem dois pontos fracos: temem o fogo e não suportam a luz do dia.

Um dos destaques da série é um pakuni chamado Cha-Ka, que se torna amigo da família e os auxilia para que compreendam um pouco daquele mundo.

No decorrer dos episódios, os Marshall conhecem Enik, um ser de outra época que pertence a uma raça chamada Altrusiana. Apesar de ser inteligente e poder falar, a raça evoluída de Enik é ancestral a dos Sleestaks, que é inferior. Isso se explica pelo fato de que os altrusianos se deixaram levar pelo ódio no passado e foram regredindo moralmente com o passar do tempo. Ocasionalmente, Enik auxilia a família Marshall a sair de situações perigosas e colabora com informações importantes.

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Os roteiros bem escritos da 1ª Temporada começaram a cativar também os adultos que eram fãs de ficção científica. Porém, a qualidade começou a cair bastante na 2ª Temporada, visto que o sucesso da série passou a preocupar algumas mães devido ao clima de suspense do programa. Muitas crianças passaram a ter pesadelos com os Sleestaks e, a partir disso, as histórias se tornaram mais cômicas, tal qual aconteceu com a série Perdidos no Espaço.

Ainda na 2ª Temporada de O Elo Perdido, além do problema com as crianças, a produção também sofreu com redução de orçamento, o que fez com que a qualidade dos efeitos especiais despencasse.

Mas a premissa inicial da série ia ser deixada de lado ainda mais, quando o ator Spencer Milligan percebeu que as coisas não iam bem e resolveu pedir demissão no início da 3ª Temporada. Além disso, o ator já brigava por aumento salarial, pois achava justo que todo o elenco recebesse uma remuneração pelo uso de imagem em produtos relacionados com a série.

Will e Tio Jack

Will e Tio Jack

A ausência de Rick Marshall foi justificada com sua volta para casa. Marshall descobriu que a pirâmide Pylon é uma espécie de câmara dimensional onde existem portais para vários universos diferentes. Ele conseguiu achar a combinação certa para viajar no tempo e foi transportado inesperadamente, deixando Will e Holly para trás, em meio a um terremoto muito forte.

A viagem de volta deu certo pois necessitava de que outra pessoa estivesse do outro lado do portal (na dimensão de origem), já que só se pode sair do Elo Perdido se tiver alguém para entrar. Essa pessoa era Jack Marshall (Ron Harper), irmão de Rick, que naquele momento estava em meio a uma expedição para tentar encontrar os Marshall.

Desta sequência de eventos, apenas a partida de Rick foi mostrada. Os produtores usaram um ator de porte físico similar ao de Milligan e o colocaram uma peruca. Não houve diálogos de Rick, apenas o mostraram de costas e girando no ar.

Os produtores também tiveram de enfrentar um outro grande problema. Todo o cenário da caverna onde a família Marshall morava pegou fogo e ficou completamente destruído. Com isso, um templo foi construído e serviu de cenário para a nova moradia da família.

Algo que nunca foi explicado é o fato da personagem Cha-Ka e o líder dos Sleestaks passarem a falar a língua dos humanos.

Ainda na 3ª Temporada, a personalidade de Enik foi mudada radicalmente e os roteiros foram caindo de qualidade a cada episódio. O cancelamento da série aconteceu no final de 1976.

A Produção

Os roteiros da 1ª Temporada de O Elo Perdido foram feitos por alguns dos maiores escritores de ficção científica. Entre eles, Larry Niven, Theodore Sturgeon, Ben Bova e Dave Gerrold. Para alguns críticos, isso coloca o seriado no mesmo nível de produções como Jornada nas Estrelas e Quinta Dimensão, ao menos no que se refere a qualidade dos roteiros. Os Sleestaks, por exemplo, representam uma linha alternativa da evolução, que teria dominado a Terra se os dinossauros não fossem extintos pelo impacto de um cometa.

As duas primeiras temporadas foram gravadas em um pequeno estúdio de Hollywood, sendo que foram utilizados um pequeno número de cenários e adereços cênicos, reorganizados com frequência para dar impressão de vastas selvas, montanhas e cavernas. Como é tradicional em cenas de efeitos, muitas miniaturas foram utilizadas para a inserção de cenas live-action por meio dos recursos de chroma-key.

elo-perdido-materia4Muitas cenas de efeitos especiais foram frequentemente reutilizadas. Outros efeitos visuais foram alcançados através de filmes de sobreposição e técnicas manuais.

Os personagens não-humanos foram retratados por atores em roupas de borracha, látex ou com maquiagem. Com o baixo orçamento disponível para a produção da série, apenas três roupas de Sleestaks foram confeccionadas. Havia apenas um maquiador no set de filmagem, Michael Westmore, que criou e usou uma argila própria para preparar as composições de Rick, Will e Holly, três Pakunis e os três Sleestaks.

O visual revolucionário de O Elo Perdido atraiu muitos fãs. O movimento dos dinossauros da série foram criados por Wah Chang e dirigidos por Gene Warren, usando uma combinação de tecnologia stop-motion, miniaturas de animação, filmes de efeitos de projeção traseira e de ocasionais fantoches para close-ups.

Alguns detalhes contribuíram bastante para o sucesso de O Elo Perdido, como, por exemplo, a língua dos Pakunis, criada pela professora de linguística Victoria Fromkin, que se baseou em alguns dialetos africanos. A língua, com cerca de 200 palavras, foi sendo mostrada gradualmente nos episódios, com a intenção de que o público pudesse aprendê-la.

Remakes

A Krofft Productions produziu um remake em 1991 com novos atores. Conseguiu boa audiência na tevê americana durante a 1ª Temporada, mas sem o mesmo êxito na temporada seguinte. No Brasil, passou despercebida do grande público, quando foi transmitida pela Rede Globo.

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O Elo Perdido – versão 1991

Em 2009, chegou aos cinemas americanos uma adaptação da série. Com orçamento de 100 milhões de dólares, o roteiro escrito por Chris Henchy e Dennis McNicholas preferiu transformar tudo numa comédia. Os irmãos Krofft foram os co-produtores.

Na trama, Will Ferrell é o herói Rick Marshall, mas agora ele é um cientista e não tem mais filhos. Rick foi expulso do departamento de pesquisa de uma universidade, devido à sua teoria de vórtices temporais, mas consegue o apoio de uma bela pesquisadora inglesa, Holly Cantrell (Anna Friel), que o convence a construir um amplificador de táquions para provar suas teorias. Os táquions são partículas capazes de viajar mais rápido do que a velocidade da luz e, teoricamente, seriam a chave para as viagens no tempo. Junto com um guia, o cientista e sua amiga vão parar no universo paralelo dos dinossauros, onde ficam amigos do homem-macaco Cha-Ka e enfrentam os perigosos Sleestaks. No meio da trama também surge um vilão que quer usar o amplificador de táquions para dominar o universo.

O Elo Perdido - versão cinematográfica de 2009

O Elo Perdido – versão
cinematográfica de 2009

Ao contrário da série original, o filme abordou mais a comédia e a paródia, como a ênfase no humor escatológico do herói tomando banho de urina de dinossauro para enganar o olfato dos répteis. Nos EUA o filme recebeu a classificação PG-13, o que significa que as crianças não puderam entrar sem o acompanhamento dos adultos. Isso contribuiu para o fraco desempenho do filme e nem mesmo as exibições no exterior e o lançamento em DVD fará com que se possa recuperar os 100 milhões gastos na produção.

Como na maioria das refilmagens modernas, o original parece melhor.

// Clique aqui para ver a Lista de Episódios de O Elo Perdido

TV e DVD

elo-perdido-materia7A distribuidora brasileira Focus Filmes lançou as três temporadas de O Elo Perdido. Uma nova dublagem foi feita pelo estúdio Centauro, mas a qualidade foi satisfatória. Os boxes foram lançados entre novembro/2007 e junho/2008 e estão esgotados nas lojas.

Na televisão, a Rede Brasil eventualmente exibe O Elo Perdido. Há também um canal de Porto Alegre/RS, a UlbraTV, que exibe a série religiosamente às terças-feiras (11h10) e quintas-feiras (16h15).

Matéria publicada originalmente em 07/07/2011. O autor é Maurício Viel. Escreva para nós e faça seus comentários.

Multimídia

Clique e assista à íntegra do primeiro episódio da série O Elo Perdido , intitulado “Cha-Ka” e redublado pelo estúdio Centauro.

Clique e assista à abertura de O Elo Perdido com a dublagem original dos estúdios BKS.

Clique e assista à abertura de O Elo Perdido versão 1991.

Galeria

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Comentários

  1. ronaldo h. m. da silva disse:

    A internet trouxe para mim e minha geração através de sites como o Retrô TV, que curtiram as séries de tv uma verdadeira nostalgia e lembranças da época da inocência. Essa matéria é mais uma que enriquece cada vez mais esse site tão importante para quem quer conhecer sobre as maravilhosas séries da TV.

  2. jailson disse:

    Realmente o site traz matérias muito boas.Tudo que lembra a minha querida infância eu simplesmente adoro.Parabéns, Retrô TV.