O Super-Herói Americano

Ficha-Técnica

super-heroi-americano-logoTítulo: O Super-Herói Americano (The Greatest American Hero/1981-83/EUA/Cor)
Gênero: Série/Comédia
Criação: Stephen J. Cannell
Elenco: Willian Katt (Ralph Hinckley/Super Herói Americano), Robert Culp (William “Bill” Maxwell), Connie Selleca (Pamela Davidson), Brandon Williams (Kevin)
Produtora: Stephen J. Cannell Productions/Rede ABC
Formato: 44 episódios de 49 minutos em 3 temporadas; episódio-piloto (longa-metragem com 120 min.)
Dublagem: Maga/SP, com Marcelo Gastaldi (Prof. Ralph Hinckley/Super-Herói Americano), Antônio Moreno (Bill Maxwell) e Márcia Gomes (Pam Davidson)

Introdução

No dia 18 de março de 1981, estreou nas noites da rede americana ABC uma série de tevê que marcaria uma época pela sua originalidade: O Super Herói Americano, uma deliciosa paródia dos super-heróis.

Por mais démodé que pareça, alguns heróis realmente são inesquecíveis. É o caso de Ralph Hinkley (Willian Katt), um desajeitado professor secundário que ganha super-poderes nesta série de tevê que foi transmitida no Brasil pela TVS (atual SBT). O programa marcou época para quem já passou dos 35 anos de idade e basta ouvir alguns segundos o tema de abertura “Believe it or Not”, uma das mais açucaradas canções dos anos 1980, para relembrar as divertidas aventuras do aspirante a herói.

A Série

O Prof. Ralph Hinckley (William Katt) está com sérios problemas em sua vida pessoal. Sofreu um divórcio recente e luta pela custódia do filho Kevin Hinkley nos tribunais. Numa noite, ele atravessa um deserto com seus alunos a bordo de um ônibus escolar, que sofre uma pane. O professor pede para procurarem ajuda, enquanto ele toma conta do ônibus. Já sozinho, eis que surge um carro desgovernado vindo em sua direção e o atropela.

Ralph e Bill são surpreendidos por uma gigante nave espacial

Ralph e Bill são surpreendidos por uma gigante nave espacial

Com ferimentos leves, Ralph corre ao encontro do motorista, que com o choque, desmaiou ao volante. Trata-se de Bill Maxwell (Robert Culp), um agente durão do FBI que Ralph havia encontrado recentemente em uma lanchonete. Estranhamente, o carro do agente havia ganhado força própria e acabou atropelando Ralph. Enquanto tentavam ligar o veículo, uma grande nave espacial azulada paira sobre suas cabeças. Por meio do rádio do carro, os extraterrestres comunicam à dupla que foram escolhidos para uma nobre missão: salvar a Terra da destruição causada pelos próprios seres humanos. Com isso, Ralph ganha um uniforme vermelho, berrante, com um cinturão prateado e uma capa preta. O material é alterado geneticamente, mas traz um manual de instruções que dá dicas de como controlá-lo. Daria, já que o desajeitado professor perdeu o manual no deserto.

Já em casa, ao notar a perda, Ralph se vê inserido dentro de uma grande enrascada. Contudo, preocupado com a incumbência de ser um super-herói e, ainda por cima, sem instrução alguma, Ralph decide não seguir a carreira de herói.

Dias depois, o professor está muito atrasado para a audiência que decidirá a custódia de seu filho. No meio do caminho, já desesperado com o relógio, cria coragem, para o carro, procura um banheiro e veste seu poderoso uniforme. Em um beco próximo, mesmo sabendo que está cometendo uma loucura, Ralph tenta dar seu voo inaugural, mas sem sucesso. Por sorte, um garotinho que está observando tudo sugere a Ralph que faça como o Superman: dê três passos e salte para poder voar.

Assim, Ralph finalmente consegue voar, mesmo que totalmente desequilibrado e fora de controle. Mas não demora muito para que o novo herói se esborrache contra um edifício. Resultado: caiu inconsciente, foi preso, internado como louco e, de quebra, perdeu a custódia do filho. Isso foi só o início de uma de suas mais patéticas e hilariantes aventuras, tentando descobrir os poderes do uniforme. Durante a série, foram inúmeras, terríveis e cômicas as tentativas de aterrissagens, além de dolorosos choques contra muros e paredes.

Pan, Ralph e Bill

Pan, Ralph e Bill

O ponto alto dos episódios são as discussões entre o agente Maxwell e Ralph, a respeito das aplicações morais dos super-poderes. Ralf é uma pessoa correta e quer mesmo ajudar a quem precisa. Já Maxwell é um agente sem grandes méritos no FBI, que, de uma hora para outra, se tornou um dos melhores da equipe. Tudo graças a Ralph, que sempre acaba convencido pelo autoritário Maxwell a se envolver em seus casos e fazer o trabalho pesado.

Mas, apesar de que Ralph pensa muitas vezes em desistir de tudo e entregar o uniforme às autoridades, os dois parceiros se tornaram grandes amigos no decorrer da série. Exemplo disso são as piadinhas do agente para cima de Ralph. Uma das preferidas é pedir para Ralph colocar seu “pijaminha” quando vão para alguma missão.

Pam Davidson (Connie Selleca), a advogada de Ralph, passa a ser sua nova namorada e ajuda no dia a dia do herói atrapalhado.

2ª Temporada

A partir da 2ª Temporada da série, Pan e Ralph se casam após terem rompido o relacionamento durante alguns episódios. Na mesma fase, outro personagem aparece para ajudar o professor: é Kevin (Brandon Williams), o filho que Ralph perdeu a custódia e que agora já é um adolescente.

As únicas pessoas que souberam do segredo de Ralph foram o Agente Maxwell e sua namorada e advogada Pamela Davidson.

Poderes

Um dos poderes da roupa alienígena do Super-Herói Americano é de “sentir” as pessoas à distância. Para tanto, é necessário que o professor toque em algum objeto pessoal desse alguém. Assim, ele tem uma visão dela, seja em um passado recente ou mesmo onde essa pessoa estaria naquele instante. Outro poder interessante é a pirocinese, que é a habilidade de controlar o fogo e o calor. O único problema é que ele só consegue atear fogo em objetos que estivessem atrás dele, o que é muito hilário. Mesmo assim, este poder ainda é útil às vezes.

O Super-Herói Americano em pleno (e hilário) voo

O Super-Herói Americano em pleno (e hilário) voo

O Super-Herói Americano tem ainda uma deficitária visão de Raio X e até uma invisibilidade que não sabe controlar. No mais, ele possui clássicos poderes, que inclui superforça, invulnerabilidade (aparentemente só as partes cobertas pelo uniforme são invulneráveis, pois toda vez que encara tiros, encobre a cabeça com muito medo) e, claro, a habilidade de voar (essa sim é o seu martírio).

Você já deve ter notado que alguns desses poderes são similares aos daquele famoso kryptoniano, não? Obviamente, as semelhanças renderam processos da editora DC Comics contra a rede ABC (mais detalhes abaixo).

O bordão publicitário “Você vai acreditar que o homem pode voar!”, da série de cinema “Superman”, sucesso da época, era uma das razões de ser da série O Super Herói Americano. Ao assistir esta paródia, você entende como isso é mesmo uma conversa fiada. É impagável a expressão de desespero e gritos ensandecidos de Ralph, toda vez que alça voo.

Processos

Estava claro que a premissa da série era parodiar o Superman, com histórias baseadas em como o Super-Herói Americano resolveria seus problemas sem ter a seriedade e a experiência do Homem-de-Aço. Atenta a isso, antes mesmo do programa estrear, a editora DC Comics – detentora dos direitos sobre o Superman – processou a Stephen J. Cannell Productions por considerar que o uniforme vermelho era uma cópia do Superman e do Flash.

A DC perdeu nos tribunais, mas fez uma nova tentativa durante a 2ª Temporada da série. Desta vez, alegou que os poderes de Ralph eram parecidos com os do Superman e ganhou a causa. Como saída, a produção criou novos poderes para o Super-Herói Americano.

Análise

O Super Herói Americano não é uma comédia pastelão, mas sim uma comédia original onde as cenas cômicas mostram a realidade de ser um super-herói. A graça da série é mostrar uma pessoa normal, correta, em um mundo real, tentando conviver com poderes absurdos, adquiridos através do uniforme. Vivendo situações comuns, são, às vezes, muito mais complicadas do que os “perigos” que os heróis dos quadrinhos costumam enfrentar.

Os roteiros são bem simples, muito parecidos até com os das séries de ação (e mesmo as de super-heróis) dos anos 1970 e 80, mas com o diferencial de que em O Super-Herói Americano se assume o “papelão” que é usar uma fantasia para combater o crime. Só para se ter uma ideia do desespero, toda vez em que o atrapalhado protagonista tem que trocar de roupa, passa por vários tipos de sufoco. Os super-heróis dos quadrinhos têm o notável dom de mudar de roupa em um piscar de olhos, mas o bom e velho Ralph sempre prende a calça nas botas, enrosca a capa no cinto e leva muito tempo para se “transformar”. Sem falar que ele pena para não perder suas roupas sociais e que, eventualmente, é pego em flagrante em banheiros, becos, moitas e, ainda, tem que dar uma de doente mental ou artista de circo para se safar do vexame.

Foram produzidas três temporadas com um total de 44 episódios, incluindo o episódio-piloto de duas horas de duração, mostrando a origem do atrapalhado herói. Os três últimos episódios da série, chamados “It’s Only Rock and Roll”, “Desperado e Vanity” e “Says the Preacher”, nunca  foram exibidos. Eles foram dirigidos pelo próprio ator Robert Culp, mas a qualidade não teria ficado como esperada.

Cena do episódio-piloto "A Super-Heroína Americana"

Cena do episódio-piloto “A Super-Heroína Americana”

Em 1986, Stephen J. Cannell propôs uma continuação da série à ABC. A proposta foi aceita, mas o ator William Katt não quis continuar com seu personagem, o que fez surgir a ideia de que o novo protagonista fosse uma mulher. A nova série se chamaria “The Greatest American Heroine”, onde termina a missão do professor Ralph. Sua identidade é revelada e os alienígenas pedem para que tudo seja passado para uma mulher chamada Holly Hathaway (Mary Ellen Stuart). O episódio-piloto foi gravado, mas não obteve aprovação dos executivos e acabou engavetado.

O que chama atenção é a música tema da série. A abertura por si só já era muito boa, mas a música ficou eternizada. É ótima e ainda é executada até hoje, principalmente em rádios de som ambiente. A música se chama “Believe it or not” e foi composta por Mike Post e Stephen Geyer, sendo cantada por Joey Scarbury. Chegou ao segundo lugar nas paradas americanas em 1981.

Curiosidades

 A 1ª Temporada da série teve apenas oito episódios, uma espécie de temporada-piloto. O episódio-piloto teve duração de 90 minutos e chegou a ser comercializado em VHS como um filme longa-metragem.

 Os extraterrestres do episódio-piloto voltam a aparecer na série em alguns episódios mais adiante. Em um deles, chegam a salvar a vida de Ralph. Na 3ª Temporada, entregam um novo manual de instruções a Ralph, que passa, finalmente, a ser um herói de verdade (ainda que mais divertido quando era um herói atrapalhado, porém eficiente e com muita sorte).

 Uma caixa especial foi lançada no mercado americano de DVDs, com todos os episódios da série, bem como o episódio-piloto inédito “The Greates American Heroine”.

 Existem fortes rumores de que a série ainda vai virar filme. A fonte surgiu do próprio criador da série, Stephen J. Cannell.

 Ótimo site sobre a série: www.tgah.proboards.com

No Brasil

A série O Super-Herói Americano virou raridade no Brasil. Isso por que sua última exibição foi ainda nos anos 1980, pelo SBT. O canal iniciou suas atividades em 1981 como TVS, e já em 1982, um dos seus carros-chefe era o programa O Super-Herói Americano, apresentado uma vez por semana, em horário-nobre. A série revezava o horário com Show da Lucy, Esquadrão Classe A, O Homem que Veio do Céu e Tarzan (com Ron Ely).

tvsUm fato curioso é que, devido a guerra de audiência já naquela época, o SBT exibia episódios da A Pantera Cor-de-Rosa antes dessas séries iniciarem, a fim de sincronizar a programação a partir do final da novela da Rede Globo. Quando a novela acabava, o episódio da Pantera que estivesse no ar era simplesmente interrompido, sem que seu desfecho fosse exibido.

A audiência de O Super-Herói Americano alcançava ótimos índices e ajudou a alavancar o canal de Sílvio Santos. As chamadas da série durante a programação diária eram bastante divertidas, visto que o herói era mostrado durante seus mirabolantes voos e insuperáveis tombos. Algum tempo depois, a série deixou a programação e retornaria só em 1986, desta vez pela manhã, logo após as séries Capitão Marvel (Shazam!) e O Elo Perdido. O público passou a ser o infantil, mas também deu bons resultados e manteve a audiência da garotada. Após essas apresentações, não houve mais notícias de que a série tenha ido ao ar novamente.

A última vez que o SBT trouxe à tona algo sobre O Super-Herói Americano foi no ano de 2006, dentro de uma série de reportagens em comemoração aos 25 anos do canal.

A dublagem brasileira da série ficou a cargo dos Estúdios Maga, cujas iniciais remetem ao nome de seu proprietário Marcelo Gastaldi (já falecido). Para quem não sabe, ele foi o dublador dos personagens Chaves e Chapolin. Na dublagem da série, seu trabalho foi na voz do Prof. Ralph Hinckley/Super-Herói Americano. Participaram ainda da dublagem, Antônio Moreno (Bill Maxwell) e Márcia Gomes (Pam Davidson).

// Clique aqui para ver a Lista de Episódios produzidos de O Super-Herói Americano

Esta matéria foi originalmente publicada em 30/03/09. Seu autor é Cristiano Barcellos. Escreva para nós ou faça seus comentários abaixo.

Multimídia

Clique e assista à abertura de O Super-Herói Americano, com a narração brasileira.

Galeria

Clique nas imagens para ampliá-las.